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Rui Pereira

Terror mediático

A liberdade de informação morre no dia em que os terroristas tomem o poder.

Rui Pereira 19 de Dezembro de 2015 às 00:30
Como devemos lidar com o terrorismo em termos mediáticos? A dificuldade da resposta resulta da (quase) inviabilidade da pergunta. Vivemos em sociedades democráticas e plurais, de matriz liberal, em que o Estado concede à comunicação social uma ampla margem de liberdade (já tivemos anos de censura que bastassem). Os jornais e as estações de rádio e televisão podem, com toda a legitimidade, assumir perspetivas diferenciadas sobre o fenómeno do terrorismo.

Há, no entanto, "mínimos olímpicos" a cumprir – nesta como em outras matérias. O primeiro diz respeito à prática de atividades terroristas. A liberdade de informar não pode servir de pretexto ou justificação para cometer crimes de terrorismo (incluindo a sua "apologia" ou atos preparatórios de atentados). O segundo é imposto pela essencial dignidade humana. Mostrar imagens de alguém a ser degolado ou queimado vivo, por exemplo, atenta contra essa dignidade.

Se analisarmos o comportamento dos órgãos de comunicação, em geral, concluiremos que estes dois limites têm sido rigorosamente respeitados. No primeiro caso, a coercibilidade das normas e o temor das sanções ainda podem ter dado alguma ajuda. No segundo caso, porém, só a contenção, fundada numa saudável cultura humanista, explica a ausência de imagens, que constitui uma boa réplica a quem ache que os "media" se regem por um só critério: a venda do produto.

A estes "mínimos olímpicos" acrescem, todavia, outros problemas extraordinariamente complexos, em que só o esforço deontológico permite vislumbrar uma solução. Como fugir à instrumentalização objetiva do espaço mediático pelas organizações terroristas, que se alimentam, precisamente, da publicidade? Como evitar o pânico gerado pela iminência de atentados? Como despistar o boato e a falsidade, numa área em que os organismos oficiais se regem pelo sigilo?

É necessário confirmar, se possível com redundância de fontes, as informações sobre o terrorismo (não basta o alerta geral das autoridades francesas para inferir que três suspeitos de terrorismo se escondem em Portugal). E também faz sentido que os "media" assumam a sua quota-parte de responsabilidade social numa luta pela liberdade que envolve também a defesa da liberdade de informação – que morreria no dia fatídico em que os terroristas tomassem o poder.
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