Rui Pereira

Professor universitário

Saúde dos políticos

24 de setembro de 2016 às 01:45
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As eleições para a presidência dos EUA poderão ser capturadas pelo terrorismo. Os recentes atentados quase simultâneos (só por sorte sem mortos) de Nova Iorque, Nova Jérsia e Minnesota fizeram emergir o tema. Num registo à Clint Eastwood, Donald Trump prometeu mais dureza. Hillary Clinton privilegiou o socorro às vítimas, no tom próprio de uma Florence Nightingale.

Para um observador precavido, o discurso de Trump, servido por uma retórica rasteira e um gesticular balofo, soa a falsete à distância. As soluções de fundo, essas, não se enxergam nem ao perto. Será que construir um muro na fronteira com o México previne o terrorismo de inspiração fundamentalista islâmica? E a disseminação das armas de fogo tem evitado atentados?

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Este discurso assemelha-se em parte ao que ajudou George Bush a bater Al Gore (sem esquecer a Florida), com consequências tão trágicas como a invasão do Iraque. Seria um erro grave menosprezá-lo. Ninguém espera que o terrorismo transforme pombas em falcões, mas Hillary precisa de persuadir o eleitorado norte-americano de que estará à altura de quaisquer desafios.

A pneumonia e a aparente fragilidade de Hillary não militam a seu favor. Num Estado democrático e na era da globalização, a política requer boas prestações físicas, banindo enfermos e anciãos. Não se pede a um Presidente que combata (em Ialta, Roosevelt dividiu o mundo numa cadeira de rodas), mas a forma física ostentada por Bill Clinton ou Obama tem valor simbólico.

A exigência de que Hillary apresente um relatório médico vai nesse sentido. Trump insinua que a rival não tem condições para exercer o cargo e proclama a sua própria saúde. Na verdade, convém conhecer a situação clínica dos candidatos, em nome da transparência. Assim, tendo em conta algumas das suas declarações, Trump deveria exibir um atestado de sanidade mental.

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