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Sérgio Pereira Cardoso

Sorte padrasta

A história de Luís no jogo online tem o enredo do costume.

Sérgio Pereira Cardoso 11 de Dezembro de 2016 às 00:30
Luís, de 30 anos, trabalhava como técnico de serviços funerários em Condeixa-a-Nova. Muito provavelmente, não foi essa a resposta que deu quando lhe perguntaram o que queria ser quando crescesse, mas o facto é que se trata de uma profissão com trabalho – as pessoas, por norma, falecem – e de valor, já que a tanatopraxia, preparação de cadáveres para as cerimónias fúnebres, tem o que se lhe diga. O problema é que, talvez para se alienar de toda a fu-nestação, o homem dedicava grande parte do seu tempo às apostas desportivas. E foi isso que o enterrou. Metaforicamente falando, claro.

A história de Luís no jogo online tem o enredo do costume. As coisas começaram por correr bem, durante o ano de 2012, o dinheiro parecia ser fácil de obter e, portanto, subiu o volume do investimento. Até que a bola passou a bater no poste e as previsões a saírem ao lado. A espiral negativa foi imparável.

Culpando o azar e não a falta de jeito para Freitas Lobo, Luís procurou novas soluções de financiamento. Toca a roubar umas notas. A quem? Ao enteado de 10 anos, claro, que é como tirar um doce a uma criança. Com a pequena diferença de que, em vez de um chupa-chupa, o poupado menino tinha um mealheiro carregado com 970 euros, que havia conseguido reunir de prendas de familiares.

Mas este exemplar padrasto não se limitaria a cometer o furto. Delineou mesmo um plano para que o rapaz de nada suspeitasse. Foi à internet e, com recurso a uma impressora de última geração, criou 16 notas de 20 euros, nove de 50 e duas de 100, substituindo as verdadeiras no ‘porquinho’, que voltou a colocar na gaveta do quarto. Crime perfeito.

A criança andou enganada por um tempo considerável, mantendo o hábito de mostrar o dinheiro à família. "Mãe, olha, quase mil euros", dizia, abanando as notas, que nem para comprar a avenida de Roma no Monopólio serviriam, coitada.

Orgulhosa, a progenitora quis abrir uma conta no banco. A má notícia não demorou. "Desculpe, minha senhora, mas são claramente falsas. Se reparar, até têm todas o mesmo número de série".

Era o fim da linha para o apostador, rapidamente apanhado pela PJ. Indiciado por contrafação de moeda e depois de ficar com as poupanças de um menino de 10 anos, Luís chegava a um momento na vida em que precisava de parar e pensar bem... Quanto é que dá a vitória do Real Madrid esta semana? 
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