Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
2
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Sérgio Pereira Cardoso

CSI Trajouce

São mais do que muitos os filmes e as séries que nos chegam a casa e que abordam, ou têm mesmo por assunto principal, a investigação criminal.

Sérgio Pereira Cardoso 24 de Abril de 2016 às 15:00

Ao vermos CSI e coisas desse género, ficamos deslumbrados com as técnicas e a capacidade de chegar à identidade de um criminoso através de uma ou outra pista inicial, um ou outro pormenor. Pois, esqueça isso. O que se passou com um ladrão de Trajouce, Cascais, em outubro de 2005, daria um belíssimo episódio de 30 segundos, no máximo. Nem haveria tempo para Horatio Caine tirar os óculos.

Como personagem principal temos um jovem de 20 anos, com jeito para o furto de veículos e um gosto muito particular – roubava automóveis Fiat Uno e carrinhas Toyota Hiace, através de ligação direta. Atacou nos concelhos de Oeiras, Cascais e Loures, conseguindo apropriar-se de um total de cinco viaturas. Quando a GNR encontrou a primeira, estacionada perto de Mafra mas que tinha sido levada de Tires, o caso ficou praticamente resolvido. A revista inicial à Toyota Hiace permitiu aos militares encontrar um Bilhete de Identidade que o assaltante tinha deixado cair no banco do condutor. Mais fácil é difícil.

Bem encaminhada, a situação passou para a Equipa de Investigação e Inquéritos da GNR, que foi bater à porta do suspeito. "Encontraram o meu BI? Boa", desculpou-se o rapaz, dando conta de que ele próprio é que havia sido assaltado e que até tinha apresentado queixa, no posto da PSP de S. Domingos de Rana, do furto de uma carteira que continha dinheiro e todos os seus documentos. Obviamente, não existia qualquer queixa. Sem mais mentiras para atirar, o jovem lá confessou que roubou os carros e, aproveitando a onda, ainda mais crimes pelo meio – furtos de gasóleo em máquinas agrícolas e industriais que levou a cabo com outros quatro homens, que foram todos identificados pela Guarda.

O desastrado assaltante acabou por ser detido pelos militares e ficou em liberdade, com o natural termo de identidade e residência, apresentando ao tribunal o Bilhete de Identidade que tinha deixado na Toyota Hiace, com a pressa de fugir, qual Cinderela que ficou sem o sapatinho de cristal quando batiam as doze badaladas. Aliás, antes a Cinderela tivesse deixado o seu BI no baile. Foi bem mais trabalhosa a tarefa do príncipe encantado do conto infantil do que a da GNR em encontrar o ladrão de Trajouce.

Sérgio Pereira Cardoso ladrões do pior
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)