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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Sérgio Pereira Cardoso

E uma vontade de ir...

Há uma atração inexplicável que os ladrões têm por gelados.

Sérgio Pereira Cardoso 9 de Novembro de 2016 às 17:04
Há uma atração inexplicável que os ladrões têm por gelados. Trata-se de uma conclusão que carece de dados estatísticos ou estudo científico, mas é impressionante a quantidade de crimes que metem pelo meio uma lambarice refrescante. O pior é quando os Cornettos dão a volta ao intestino ao assaltante a meio do ato num café, como aconteceu em Alverca do Ribatejo. E agora, o que fazer? Apertar as nádegas, aguentar os suores frios e correr até casa? Ou recorrer logo ali à casa de banho? Que vontade…

Antes de chegarmos a essa determinante decisão, recuemos uns minutos naquela madrugada de 13 de maio de 2004. Sozinho na noite, um jovem larápio – Eurico, chamemos- -lhe assim – pegou numa pedra e partiu o vidro da porta do estabelecimento de restauração. Rapidamente, encheu um saco com maços de tabaco, isqueiros, um telemóvel e o respetivo carregador. Até que lhe veio a fome.

Sentindo-se perfeitamente à vontade, respondeu àquela necessidade com um par de Cornettos no bucho. Só que a coisa não lhe fez nada bem e a necessidade passou a ser outra. As fortes cólicas anunciavam uma revolta intestinal que até deixou o inexperiente criminoso a suar em bica.
Estava na hora de tomar uma opção vital. Aguentar o sofrimento e ir com as pernas bem juntinhas até casa ou arriscar tudo e evacuar ali mesmo, no quarto de banho do café. Em agudo sofrimento, Eurico enveredou pela via número 2.

O chato é que, entretanto, já alguém chamara a GNR depois de ouvir o estrondo de um paralelo a embater no vidro. Ainda não tinha o rapaz acabado de ler a habitual arte da parede de WC - ‘Sou louca por motoristas, liga-me’ - e já os militares do posto local entravam no espaço. Momentaneamente, arrependeram-se. Devia ter sido chamada uma equipa especial, com máscaras a preceito. O ar estava irrespirável.

Os guardas deixaram, presume-se, Eurico terminar o seu serviço, puxar as calças para cima e lavar as mãos junto às quais seriam colocadas as algemas. O assaltante geladófilo acabaria condenado, no Tribunal de Vila Franca de Xira, já em 2005, a um ano e meio de cadeia, em pena suspensa.

Para o resto da vida, o jovem Eurico levou uma lição. Um snack a meio de um assalto pode resultar em prisão. E a única prisão que ali lhe tinha dado jeito era a de ventre. Assim, foi uma autêntica m...
Alverca do Ribatejo Eurico GNR questões sociais saúde
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