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Sérgio Pereira Cardoso

Só quero viagra!

Não estaria nada à espera de ouvir as palavras que o nervoso ladrão lhe disse: ‘Não grite. Só quero Viagra, não quero dinheiro’.

Sérgio Pereira Cardoso 15 de Maio de 2016 às 00:30
Com o aproximar da hora de fecho, a farmacêutica aproveitava para arrumar alguns medicamentos, quando sentiu o frio de um revólver encostado à cabeça. Terá pensado muita coisa em pouco tempo, mas certamente não estaria nada à espera de ouvir as palavras que o nervoso ladrão lhe dirigiu. "Não grite. Eu só quero Viagra, não quero dinheiro."
O insólito assalto aconteceu na Farmácia Nuno Álvares, em Montemor-o-Velho, nos finais de novembro de 2007. Apesar de aquele estar devidamente encapuzado – viam-se pouco mais do que os olhos e a boca -, foi possível à vítima perceber que o criminoso teria entre 25 e 30 anos, no máximo. Não será difícil adivinhar que o jovem acabara de ser traído pela disfunção erétil. Atacado na sua virilidade e sem tempo para consultar um profissional de saúde especializado na matéria, pretendia levantar o moral - e não só - naquela mesma noite de quarta-feira. "Só quero Viagra, não quero dinheiro".
"Tenha calma", respondeu a farmacêutica, percebendo o drama psicológico por que passava o homem. Explicou- -lhe que não era necessário estar a apontar aquela arma e perguntou-lhe a dosagem que desejava. Desesperado e sem aparente experiência anterior, o ‘cliente’ preferiu, não vá o Diabo tecê-las, levar duas caixas de cada: 25, 50 e 100 mg. O suficiente para um priapismo que ainda hoje duraria.
Antes de presentear a companheira – ou o companheiro – com a melhor e mais exaustiva semana de toda uma vida, pediu à funcionária para não chamar as autoridades, nunca deixando de a ter na mira do revólver. De seguida, saiu a correr, com as seis caixas do comprimido azul no bolso, rumo a casa, rumo à felicidade. "Ele esteve sempre muito nervoso", descreveu, na altura, a farmacêutica. Provavelmente, os mesmos nervos que o traíram desde o início, quando falhou nas tarefas domésticas.
Tratou-se do primeiro assalto àquele estabelecimento de Montemor-o-Velho e, apesar do inusitado produto roubado, foi chamada a Polícia Judiciária de Coimbra, pelo facto de ter sido utilizada uma arma de fogo. O prejuízo para os proprietários foi de mais de 230 euros, mas, fora o susto, a funcionária - que estava sozinha na altura do crime - ficou com uma excelente história para contar em jantares de amigos. Sem razões para sorrir terão ficado os vizinhos do jovem assaltante. É bem possível que os dias seguintes tenham sido pouco sossegados nas imediações da casa do ladrão.
Polícia Judiciária de Coimbra questões sociais política
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