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Correio da Manhã

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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Sérgio Pereira Cardoso

Um Boeing de 300 euros

Eram 20h50 de 16 de novembro de 2011.

Sérgio Pereira Cardoso 3 de Julho de 2016 às 12:04

Marilinda, proprietária, estava ao balcão,   enquanto   o   marido conversava   com   um   cliente, num local mais afastado. "Boas noites",   irrompeu   um   jovem pela porta do café de Casais de Mem   Martins,   concelho   de Sintra. Em segundos se perceberia,   porém,   que   o   tão   bem educado   rapaz   não   chegava com as melhores intenções.

"Ora,   então,   o   que   vai   ser?", perguntou a mulher, de 59 anos. "Todo o dinheiro da caixa", respondeu o afinal assaltante, aí já bem menos cortês. É que nem sequer   um   ‘se   fizer   o   favor’   a terminar   o   pedido,   efetuado com uma pistola apontada à cabeça da vítima. A comerciante não teve outra solução que não fosse abrir a registadora e entregar   ao   criminoso   a   quantia que ali guardava. Eram 300 euros,   mais   coisa,   menos   coisa, um valor que já deixou satisfeito o falso cliente,  preparando- -se para escapar com um rasgado sorriso nos lábios. 

Adolfo, o companheiro de Marilinda, é que não esteve pelos ajustes ao aperceber-se do que se estava a passar. Qual pistola, qual quê? Pegou numa cadeira que se encontrava a jeito e acertou com perícia nas costas do assaltante. Menos sorridente e sem tempo para queixas, o jovem,   embora   agora   meio   de lado, continuou a heroica fuga pela estrada fora e mal sabendo o   que   ainda   o   esperava.   Um amigo   dos   donos   do   café,   que assistira a toda a cena, arrancou no   seu   automóvel   e,   azar   dos azares, ‘esqueceu-se’ de travar ao   aproximar-se   do   suspeito. Se "até as vacas podem voar", senhor primeiro-ministro António   Costa, devia ter visto este ladrão a imitar um Boeing 747.

O   rapaz   lá   aterrou   e   também logo se levantou, revelando uma perseverança digna do melhor atleta de decatlo. Agarrado ao dinheiro e à arma e apesar dos visíveis ferimentos, conseguiu escapar,   com   a   ajuda   de   um comparsa que tinha ficado à espera nas imediações.

Uma   cansativa   corrida,   uma cadeirada, um atropelamento e, muito   provavelmente,   vários ossos   partidos   depois,   o   homem   conseguiu   levar   os   300 euros. O problema? As contas de subtrair. Desde logo, ter de dividir   com   o   cúmplice   que   o salvou. A seguir, do que restar da pequena fortuna, gastar uma grande   parte   em   pomadas   e analgésicos, no melhor dos casos. Ou numa cirurgia para retirar a costela de um pulmão perfurado, no pior cenário.

Afinal, bem vistas as coisas, o ladrão corria o risco de não ter trabalhado sequer para uma boa sandes   de   mortadela.   Razão tem o outro: assim, mais vale pedir do que roubar. Ufa.
Sérgio Pereira Cardoso ladrões do pior
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