Leonor Pinhão

Cronista

As sombras de Amorim

19 de setembro de 2026 às 00:30
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Por duas vezes a realização da transmissão do jogo AC Milan-Benfica escolheu colocar no ar imagens da tribuna VIP de San Siro incidindo o foco sobre Antonio Conte, o treinador italiano que levou o Nápoles ao seu último título de campeão de Itália na temporada de 24/25. Mas não foi, certamente, pelas suas glórias recentes no papel de treinador que Conte nos entrou em casa através do ecrã do televisor quando o AC Milan já perdia por 2-0 com a equipa portuguesa. Foi por ser um treinador desempregado que o realizador decidiu colocá-lo no centro da emissão, provocando a reação que era certo e sabido que iria provocar. Antonio Conte ameaçando Rúben Amorim com a sua presença na bancada em Milão por ocasião do embate com um Benfica que, pela primeira vez na história dos confrontos oficiais entre os dois clubes, se preparava para vencer a equipa milanesa.

Espetadores italianos e espetadores de qualquer outro país dificilmente chegaram a outra conclusão vendo Antonio Conte a ver o Benfica a brincar com o AC Milan. O trajeto inicial de Ruben Amorim no comando do poderoso emblema não tem sido famoso. Em quatro jornadas da Série A perdeu 4 pontos. No primeiro jogo na segunda competição da UEFA foi absurdamente desfeiteado pela equipa portuguesa. E a imprensa local viu o mesmo que todos vimos e fez títulos chamando a Conte “a sombra” de Amorim. Fabio Capello, o treinador dos treinadores italianos, chamado a comentar o jogo não poupou nas palavras: “Amorim fala de pressing e de agressividade, mas quem fez isso foi o Benfica e outro pormenor é que a equipa não sabe defender.” As críticas sucederam-se vindas de todo o lado sendo a insistência em Gonçalo Ramos e a ausência do francês Rabiot na equipa titular outros dos pecados apontados ao treinador português.

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Amorim foi campeão no Sporting, falhou em Manchester e não se pode dizer que as coisas lhe correm às mil maravilhas em Milão. Porquê? O manager italiano Paolo di Cano tem uma explicação para os insucessos do treinador fora de Portugal. “Às vezes os treinadores mais jovens não têm capacidade para dialogar com jogadores de grande personalidade e estatuto. Já lhe aconteceu isto em Manchester.” As palavras de Paolo di Cano apontam para uma realidade, sem dúvida, equacionável. Quando chegou ao Sporting o treinador deu de caras com um clube desabituado de ganhar e com um conjunto de jogadores de pouco ou nenhum estatuto que nem sabiam o que isso era. O seu célebre “e se correr bem?” - a frase que disse à chegada a Alvalade - seria inadmissível à chegada a Manchester ou a Milão, lugares onde foi contratado sem que o “correr mal” fosse sequer retoricamente admissível. E só isto faz uma enorme diferença.

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