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Felizmente que há uma ordem em tudo. A ordem natural das coisas, a ordem dos dias e das estações do ano, as ordens religiosas, a ordem internacional (tão ameaçada nestes últimos tempos), a ordem dos calceteiros, a ordem da classificação nas mais diversas tabelas e, entre mil outras ordens, a ordem das chegadas e das partidas de pessoas e de máquinas em trânsito. E de animais, também, como se verá de seguida. No caso das reflexões apontadas para hoje, o penúltimo sábado de janeiro, a ordem em análise será exclusivamente a ordem das chegadas para que todos possamos saudar convenientemente o cão de Rafa que chegou primeiro do que o dono à zona de desembarque do aeroporto de Lisboa onde um batalhão de repórteres aguardava, de canetas em riste e de microfones em punho, o regresso de Rafa Silva ao país onde nasceu

Na realidade, o cão de Rafa não chegou primeiro do que o dono ao convívio com a comunicação social. O cão de Rafa chegou no lugar de Rafa ao lugar onde a imprensa aguardava o dono, o que é uma coisa completamente diferente. E chique, muitíssimo chique como todos terão de concordar. O cão de Rafa é muito bonito como todos os cães são muito bonitos. Atravessou a zona de desembarque do aeroporto de Lisboa obedientemente conduzido à trela pela namorada de Rafa e, mostrando-se um animal bem treinado, não rosnou, não ladrou, não rosnou ao aparato com que foi recebido, manteve-se na sua passada segura até desaparecer de vista cumprindo, com êxito, a sua primeira experiência no mundo das celebridades em chegadas a aeroportos.

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Isto aconteceu pela hora do almoço na quarta-feira, no dia em que o Benfica jogava à noite em Turim sem Rafa que, aliás, fez imensa falta aos propósitos da equipa e sobre isto é que não há mesmo dúvida nenhuma. A falta que Rafa tem feito ao Benfica desde a temporada de 2024/2025, e que muito se tem acentuado na época corrente, é um dado adquirido por todos os amantes da modalidade. Na temporada passada, a tal de 2024/2025, a ausência de Rafa conseguiu ser mais ou menos disfarçada pelo rendimento de um turco que o Benfica foi buscar à Turquia, um jogador chamado Akturkoglu e que, entretanto, o Benfica já despachou de volta para o país de origem. Esse tal Akturkoglu assinou 17 golos e 11 assistências no ano em que esteve de serviço no Benfica atingindo, para citarmos José Mourinho, a marca dos “dois dígitos”. O treinador utilizou esta expressão dos “dois dígitos” imediatamente a seguir à derrota com a Juventus referindo-se aos extremos e aos médios do atual Benfica que não conseguem, nem nunca conseguirão, marcar mais de uma dezena de golos por época. Veremos o que acontece daqui para a frente. Rafa tem cão, não precisa de caçar com gato.

A realidade é que haverá sempre um 6.º treinador da era Rui Costa

Depois de, em 14 dias, o Benfica ter dito adeus às Taças da Liga e de Portugal e, salvo um milagre, à Europa, dificilmente escapa Rui Costa à crueldade das redes sociais que lembram a sua tirada de insano otimismo em tempo eleitoral: “… após um mercado dos melhores que há memória… o nosso plantel, com muita qualidade, permite-nos acreditar em grandes conquistas…” Na última 4.ª-feira, o Benfica perdeu em Turim com a Juventus no mesmo lugar e contra o mesmo adversário que o Benfica de Schmidt e o Benfica de Lage venceram em 2023 e em 2025. Apontar a artilharia a Mourinho, que, a cada conferência de imprensa, desmente sem rodeios a “muita qualidade” do “plantel” do “melhor mercado de que há memória”, e ver a solução do futebol do Benfica na sua substituição será o caminho? A realidade é que, mais cedo ou mais tarde, haverá um 6.º treinador da era Rui Costa por decisão conjunta ou por decisão presidencial. Ou por vontade do treinador, sim, porque isto cansa.

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