Leonor Pinhão

Cronista

Novo dirigismo no futebol: Os “betos” sem freio

16 de março de 2026 às 17:02
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Desenganem-se. Sim, desenganem-se todos aqueles que, independentemente das suas filiações clubistas, celebraram com fé num futuro radioso e com espírito olímpico a subida ao Poder dos sucessores de Pinto da Costa no FC Porto e de Bruno de Carvalho no Sporting na convicção de que o mundo ia mudar. Oh, ingénuos! Oh, eternas crianças que acreditam em tudo até nas aparências. Indiscutivelmente, bons cortes de cabelo, barbas aristocraticamente aparadas de três dias ou mais, fatos caríssimos decerto importados do estrangeiro, uns modos desempoeirados de um lado e do outro apresentaram-se ao país como garantias do progresso civilizacional do dirigismo desportivo ao mais alto nível para tudo descambar no mais baixo nível sempre que se proporcione a ocasião.

Perante as discussões tradicionais do jogo – penáltis, empurrões, apitos… – por quanto tempo poderia manter-se fiel ao pedigree com que nasceu um sujeito todo ele bem-apessoado oriundo das cosmopolitas Avenidas Novas da cidade Capital do país e a quem calhou ser presidente do Sporting? E, perante semelhantes ocorrências – apitos, empurrões, penáltis… – quanto tempo levaria a mandar às malvas as cortesias inerentes a um sujeito não menos bem-apessoado, herdeiro de um título nobiliárquico, oriundo da Foz do Douro lá no limite atlântico da grande cidade Invicta? Muito pouco tempo tal como se viu.

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Desde as respetivas eleições para os cargos que ocupam, Frederico Varandas e André Villas-Boas já por mais do que uma vez tinham demonstrado que na defesa dos interesses dos seus clubes não confiam a missão a terceiros indo eles mesmos à luta no terreiro público sem um pingo de acanhamento. O à-vontade que ambos demonstram perante câmaras e microfones classifica-os como gente sem pavor de jornalistas e afins como, aliás, é próprio de dois betos certificados que é o que eles são. Ora o espetáculo oratório ou, melhor, os espetáculos oratórios produzidos pelos dois presidentes no rescaldo do encontro entre o Sporting e o FC Porto a contar para a Taça de Portugal vieram redefinir a essência e o significado do vocábulo “beto” por norma utilizado para classificar pessoas e dissertações bem mais fleumáticas do que as recentemente testemunhadas.

Porém, quando momentaneamente desprovidos de “bétice” em função das ocorrências que lhes fazem perder a cabeça, os betos não ficam iguais aos comuns mortais quando se insultam ou trocam acusações. Não, não descem a esse patamar dos pobrezinhos. Os betos estão sempre um patamar acima. Haverá sempre neles, ainda que residualmente, uns vestígios da origem de classe que os distingue dos demais na hora das acusações. Em resumo, foi um espetáculo encantador o da noite da última terça-feira.

Um clássico com características especiais: O Benfica não tem outro remédio que não seja ganhar

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Já lá vão largos meses desde que o Benfica festejou o seu melhor mercado de verão de sempre e desde que Bruno Lage alinhou no pressuposto da excecionalidade dessa janela de compra e venda de jogadores pronunciando aquela frase que lhe seria fatal: “Foi o único mercado em que o presidente e a direção levaram em consideração as ideias do treinador.” As “ideias” do treinador não se traduziram em pontos nas jornadas iniciais do campeonato nacional e da Liga dos Campeões, Lage saiu logo em setembro e amanhã o Benfica joga o seu resto da época sob a liderança de José Mourinho. O Benfica não tem outro remédio que não seja ganhar ao FC Porto. Com qualquer outro resultado a época do Benfica terminará na primeira semana de março arrastando-se até maio em depressão vendo os outros lutar pelos títulos que deixou escapar. José Mourinho sabe melhor do que ninguém o que tem pela frente se o Benfica ganhar e se o Benfica não ganhar. Será sempre complicado, num caso e no outro.

SOBE & DESCE

Luis Suárez: Sempre ele

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De bola corrida, de bola parada, o uruguaio não treme diante da baliza e é uma máquina de marcar golos. Na 1.ª mão da Taça, o FC Porto foi a sua última vítima.

Andreas Schjelderup: Onda positiva

O norueguês foi o autor do golo da vitória do Benfica em Barcelos e viu-se publicamente elogiado pelo seu treinador: “gosto deste Schjelderup”, disse Mourinho.

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Fredrik Aursnes: Má notícia

A mais fiável unidade do “miolo” do Benfica – Schmidt, Lage e Mourinho que o digam – vai parar umas semanas. Má notícia para o Benfica em véspera do clássico.

PÉROLA

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“Não vi o Farioli. Estava a comer uma canja, bem boa” - Rui Borges

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