Leonor Pinhão

Cronista

Uma expedição infeliz: Patinando no Ártico

16 de março de 2026 às 17:02
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Para os adeptos do Benfica, sabendo o que sabem hoje, deve ser difícil disfarçar o alívio sentido a posteriori por lhes ter calhado na caminhada europeia o Real Madrid, campeão dos campeões da mais importante competição de clubes do mundo, e não o Bodo/Glimt do Círculo Polar Ártico. Vamos aos factos. O Benfica jogou três vezes com o Real Madrid no espaço de um mês, venceu o primeiro encontro por 4-2 de forma épica e perdeu os dois encontros seguintes de forma tangencial saindo com a sua reputação competitiva intacta. Tivesse o Benfica de jogar três vezes de seguida com o Bodo/Glimt e ninguém no seu perfeito juízo apostaria nos dias que correm que a equipa de José Mourinho saía minimamente intacta nas suas pretensões e no seu historial na prova.

Não é que o Sporting, que festejou o sorteio que o salvou do Real Madrid colocando-lhe no caminho o Bodo/Glimt, tenha um grande historial na Liga dos Campeões porque na realidade, não tem nem grande nem pequeno historial, mas não deixaram de ser surpreendentes, por excesso de otimismo, os prognósticos da imprensa e da generalidade dos comentadores nacionais para o confronto entre os campeões de Portugal e os vice-campeões da Noruega. Muitos consideraram sem hesitação a eliminatória resolvida em favor do Sporting e fizeram contas, em voz alta, às fortes possibilidades do Sporting frente ao Arsenal ou ao Bayer Leverkusen, um dos possíveis adversários da ronda seguinte. Em resumo, sem jogar um minuto com os noruegueses, a equipa de Rui Borges já “estava” nas meias-finais da Liga dos Campeões e, depois, tudo podia acontecer.

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Falemos, então, de Rui Borges que tem sido maltratado e cruelmente desconsiderado desde quarta-feira à noite pelas razões sobejamente conhecidas. O treinador que já deu tantas alegrias aos adeptos do Sporting viu-se, de um momento para o outro, alvo da fúria popular e de outras fúrias menos razoáveis. No entanto, a frio, ninguém lhe fez ainda a única crítica que seria aceitável no contexto desta eliminatória. Borges não teve o cuidado de alertar os adeptos do seu clube e a opinião pública nacional para o facto de o Bodo/Glimt ser mais forte do que o Sporting nos palcos internacionais tratando-se de um adversário temível praticante de um futebol moderno de enorme qualidade atacante que, na corrente temporada, já abatera o Atlético de Madrid em Madrid (1-2), o City em Bodo (3-1) e que despachou, com duas vitórias, o Inter de Milão no play-off de acesso aos “oitavos” da Liga dos Campeões.

A eliminatória encerra-se na próxima terça-feira, em Alvalade, e a probabilidade de uma reviravolta no “agregado” das duas mãos não é enorme a não ser que o Bodo/Glimt entre em campo em modo de festejos antecipados e cometa o pecado da sobranceria que tramou o Sporting na sua infeliz expedição ao Círculo Polar Ártico.

Sidny Lopes Cabral sem camisola, mas com “paciência”

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O “play-off” entre o Benfica e o Real Madrid na Liga dos Campeões ainda é assunto pelo caso Prestianni que contaminou sem remissão esse duplo encontro entre os emblemas ibéricos. O Real Madrid, que deu uma sova ao Manchester City depois de afastar o Benfica, já nem se deve lembrar do assunto, mas na Luz os efeitos dos supostos insultos racistas de que Vinícius Júnior se queixou de ter recebido continuam a causar danos. Se Prestianni segue intocável na equipa do Benfica, Sidny Lopes Cabral “desapareceu” das opções do treinador depois de ter pedido a Vinícius para trocar de camisola no fim do jogo de Madrid. Sidny chegou à Luz no mercado de inverno vindo do Estrela da Amadora pelo valor de 6 milhões de euros e tem 1 golos e 3 assistências nesta sua curta experiência no Benfica. Tem também paciência. Pelo menos foi o que escreveu na sua conta do Instagram: “Poder. Precisão. Paciência.” Bem pode manter esse espírito. É que nem com a camisola de Vinícius ficou.

PÉROLA DA SEMANA

“Uma coisa é jogar com Aursnes e Barreiro, outra coisa é com Enzo e Ríos” - José Mouinho, treinador do Benfica

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