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Victor Bandarra

Sabedoria prática

Daniel vive num bairro de classe média dos subúrbios da grande cidade.

Victor Bandarra 28 de Fevereiro de 2016 às 15:00

Ele e a vizinhança sofrem de assaltos constantes, feitos por miúdos desorganizados controlados por   bandos   organizados.   Recentemente, farto de ser assaltado à noite e molestado de dia, Daniel decidiu desactivar o sistema de alarme e deixou de pagar ao guarda-nocturno e à segurança privada. No jardim da casa,   hasteou   três   bandeiras: uma do Afeganistão, outra do Paquistão e uma terceira, negra, do Daesh, dito ‘estado islâmico’. Mas   que   ideia   mais   maluca, pensaram os vizinhos.

Outra história maluca é contada  pelo    pensador    indiano Rajneesh.    Há    mais    de    1000 anos morreu um velho árabe que tinha três filhos e 17 camelos. Aberto o testamento, ficou a saber-se que metade dos camelos deveria ficar para o filho mais velho, um terço para o segundo e um nono para o terceiro. Como resolver o berbicacho provocado pelo maluco do velho? Eram 17 camelos. Como dividi-los conforme a vontade do pai sem cortar nenhum animal ao meio? Chamaram economistas e matemáticos, que raciocinaram muitíssimo mas não    conseguiram    resolver    o problema. Alguém se lembrou que era melhor procurar quem percebesse    simplesmente    de camelos.    Foram    buscar    um sheik analfabeto e muito, muito velho. E o velho sorriu. "É muito simples!"

Os problemas práticos de Daniel e dos três filhos do velho árabe devem fazer meditar os europeus, a começar por António Costa e respectivo governo, todos às voltas com crises e orçamentos, insegurança e falta de pilim, tudo baralhado pelas ideologias, sabedorias e erudições de políticos, fiscalistas e economistas.

     No caso dos camelos, o velho sábio inculto juntou o seu próprio camelo à herança - ficaram 18 camelos. Depois, limitou-se a fazer a divisão prevista no testamento: 9 para o filho mais velho, a terça parte (6) para o segundo filho e a nona parte (2) para o mais novo. Todos ficaram satisfeitos.    O    velho    sheik    pegou    no camelo que sobrava, o seu, e partiu com um sorriso nos lábios.

     Quanto a Daniel, anda feliz que nem um ratinho. Desde que hasteou as bandeiras, percebeu que toda a família passou a ser vigiada pela PSP, pela PJ e pelo SIS, 24 horas por dia, incluindo fins-de-semana. Os filhos têm protecção especial até à escola, a mulher até já vem a pé do supermercado    e    Daniel    dá-se agora ao luxo de olhar de alto para os rufiões do bairro. Ninguém arrisca meter-se com a família. Poupa um dinheirão e nunca se sentiu tão seguro.

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