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Correio da Manhã

Opinião
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20 de Março de 2008 às 00:30
Dos mortos e estropiados. É uma das mais sanguinolentas rodovias do País. Ninguém no seu perfeito juízo contesta a urgência da intervenção. O objectivo é diminuir em 35% o número de mortes. Meta ambiciosa. E por que não em 5%? Não se deve beliscar muito o volume de negócios de seguradoras, hospitais e funerárias?

A 125 azul respeitará a paisagem. 150 milhões de euros. Quatro variantes. 64 rotundas. Uma em cada quatro quilómetros. Na da Mexilhoeira lá pastam diária e placidamente dois cavalos. Ali a 125 é verde. Quando o mato secar será cor de burro a fugir. A cena idílica, das cavalgaduras, deixará antever 2010, se a obra for cumprida em prazo? Com a 125 reparada, receio que me obriguem a lá ir dar muitas voltas até ficar zonzo. Receio portagens na Via do Infante, empurrando residentes e visitantes, para a 125 azul, fugindo de uma Brisa, sôfrega por soprar no Algarve, a vazar-nos os bolsos. Receio que voltem os dramas, como o da mota 125cc azul da canção dos Trovante. Se assim fosse a 125 seria, de novo, rubra. Não deixará de ser das maiores veredas urbanas da Europa, com 273 quilómetros.

Espero enganar-me. Estive treze anos à espera da conclusão da Via do Infante até Lagos. O Governo que me garanta que penso mal. É que preciso de alimentar este defeito de me enganar, não poucas vezes, e de ter sempre muitas dúvidas...
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