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Correio da Manhã

Opinião
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Manuel Catarino

13 anos depois

A história de Rui Pedro, o menino de Lousada desaparecido em 1998, mostra o pior e o melhor da nossa Justiça. Começa por ser um caso exemplar de negligência: a Polícia Judiciária investigou mal, não deu ao assunto a devida importância, desistiu – com a cumplicidade do Ministério Público, que consentiu durante anos a fio nesta espécie de denegação da Justiça.

Manuel Catarino 9 de Junho de 2011 às 00:30

Ao fim de 13 anos, há finalmente um réu – Afonso Dias, suspeito desde o primeiro dia, só agora pronunciado pelo rapto da criança. A decisão de levá-lo a julgamento mostra o que a Justiça tem de melhor: nem todos desistem de esclarecer um crime – e, embora tarde, ainda há quem persiga um presumível criminoso. É um fraco consolo. Principalmente para a mãe de Rui Pedro. Filomena consome-se em dor, há longos e penosos 13 anos, com a incerteza sobre o que aconteceu ao filho: não o sabe vivo, nem o sabe morto. Sofreu duplamente. Não bastou ter-lhe sido roubado um filho. Ainda foi humilhada por inspectores da Judiciária. E quem a humilhou cometeu um segundo crime: faltou ao dever de promoção da Justiça. Afonso Dias não devia ser o único arguido neste caso. Mas nem sempre a Justiça é para levar a sério.

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