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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

2009

As crises como esta que está a atravessar o Mundo, em particular a União Europeia, e concretamente Portugal, não trazem no seu ventre apenas ameaças de despedimentos, de diminuição do poder de compra, de falência de empresas.

Francisco Moita Flores 28 de Dezembro de 2008 às 09:00

Nas suas consequências mais radicais geram instabilidade política, instabilidade social e potenciam a escala da actividade criminosa em muitas vertentes. Sem querer fazer previsões – pois não esqueço as previsões de todos os nossos economistas de há um ano, em que nenhum acertou na depressão que estamos a viver, demonstrando que as ciências sociais valem o que valem em termos de prognósticos – atrevo-me a desconfiar de que, na perspectiva criminal, o ano 2009 vai ser mais severo do que aquele que agora finda. Na verdade, o previsível aumento do contingente de desempregados, do número de famílias com maiores dificuldades económicas e de endividamento, a rarefacção de dinheiro vivo nas carteiras e nas trocas comerciais podem criar as condições para que a actividade delinquente se multiplique, se torne mais violenta e mais diversificada. Não me admiraria se o ano 2009 trouxesse um aumento exponencial do tráfico de moeda falsa, de assaltos a caixas de multibanco, de ataques à mão armada a maior número de instituições de crédito, assim como a supermercados e ourivesarias. Não me espantaria mesmo nada que houvesse uma baixa de preços no mercado clandestino da droga, procurando animar essa economia subterrânea, pressionando novos mercados e novos consumidores. Não causaria grande estranheza que eventuais protestos de natureza social ou política descambassem em conflitos mais agudos, com destruição de bens e rapina de lojas e estabelecimentos comerciais.Crises como esta nunca existiram desde a grande depressão de 1929, do século passado. Qualquer crise aguda conduz ao aumento da criminalidade.

Dito isto, ponhamos o problema ao contrário: não vão ser mais polícias nem vão ser os muitos clamores repressivos que iremos ouvir que poderão obstar a que uma situação como aquela que atrás foi descrita possa acontecer. O problema é essencialmente político e tem de se resolver no mundo da política. Isto é, cabe a quem governa aqui, na União Europeia e nas outras potências mundiais aplicar os instrumentos de controlo e de regeneração por forma a evitar as piores consequências deste terrível emaranhado de crises em que estamos envolvidos. Se tiverem talento para tanto, se tiverem a coragem, em vez de lamentos, talvez não se chegue aos piores extremos e 2009 poderá até ser um ano calmo. Bom Ano Novo para todos.

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