Inteligência artificial

Carlos Moedas

Inteligência artificial

Não queremos uma inteligência artificial que nos substitua ou nos imite, mas que nos ajude a ser melhores.
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Por Carlos Moedas|18.05.18
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Em maio de 2016, na reunião do G7 de ministros da ciência no Japão, tive um encontro que nunca esquecerei: fui apresentado a um robot que parecia mesmo uma pessoa, com uma pele, expressões e tiques humanos. Apesar de a tecnologia ser admirável, a experiência gerou um certo incómodo, tanto em mim, como nos meus colegas europeus. Respeitávamos naturalmente a escolha, mas todos concordámos que não era isso que queríamos para a Europa.

Nesse dia, percebi que a Europa provavelmente fará escolhas diferentes de outras regiões no que diz respeito à inteligência artificial. E que, como tal, teremos de fazer escolhas políticas muito claras. Não queremos uma inteligência artificial que nos substitua ou nos imite, mas sim uma inteligência artificial que nos ajude a ser melhores.

Eu não quero que o meu médico passe a ser um computador com inteligência artificial. Quero sim que o meu médico use a inteligência artificial para complementar as suas qualidades, a sua experiência e o conhecimento que tem da minha história clínica e da minha personalidade, tornando assim o seu diagnóstico ainda mais correto.

Eu não quero que o meu professor passe a ser virtual. Os meus professores e mentores devem continuar a transmitir a criatividade, inspiração e capacidade de interligar diferentes matérias. Quero sim que a inteligência artificial me ajude a ler e gerir uma quantidade de informação que humanamente já não consigo digerir. Os grandes avanços da ciência não se devem à capacidade de computação, mas sim à capacidade humana de fazer ligações nunca antes feitas. A inteligência artificial não tem vontade própria. A ciência é vontade própria por definição.

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