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Correio da Manhã

Opinião
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Carlos Rodrigues

A doença da democracia

Trata-se da rendição à ditadura do pensamento médico.

Carlos Rodrigues(carlosrodrigues@cmjornal.pt) 23 de Fevereiro de 2021 às 00:31

É o novo protocolo do poder em estado de emergência. Um conjunto de médicos, elevados à categoria linguística de especialistas, reflete sobre o futuro, numa conferência em que estão presentes, no passivo papel de ouvintes, políticos que nós elegemos.

Essas conferências influenciam complexas decisões da comunidade, suplantando o relevo de parlamento e conselho de ministros, no mais pernicioso efeito da pandemia. Ungidas como verdades científicas, as opiniões unívocas de especialistas unidimensionais indicam ao poder político o que deve ser feito.

Ora, cada profissional tende a olhar para o mundo a partir de um determinado ponto de vista, de acordo com a sua área de saber.

Deixar as opções nas mãos de uma só área da ciência é errado: significa olhar para uma parte do mundo como se essa parte fosse a totalidade do real. Infelizmente, nunca é. A doença zero não existe. As sessões de especialistas representam a rendição a uma certa ditadura do pensamento médico.

Acima de qualquer visão particular devem estar escolhas democraticamente validadas. As conferências do Infarmed ameaçam transformar-se numa doença da democracia.

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