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Correio da Manhã

Opinião
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20 de Março de 2006 às 00:00
Quando, em Março de 2003, as forças da Coligação iniciaram as suas operações militares contra o regime de Saddam Hussein, foram muitas as pessoas que experimentaram um sentimento ambíguo face a uma iniciativa que poderia ser vista tanto como um atropelo ao Direito Internacional quanto como uma medida indispensável à segurança colectiva da Humanidade.
Passados três anos, há que reconhecer que, a par de um conflito de consequências sempre dolorosas, não deixou de ser possível criar uma dinâmica de abertura e progresso político de que o Iraque será o principal beneficiário. Efectivamente, durante esse período, o país foi bafejado pelos ventos da liberdade. Basta recordar, v.g., que ainda há três anos a internet estava praticamente proibida no Iraque e o telefone móvel só era autorizado a uma camada social muito restrita e ligada ao Poder. E foi assim que se realizaram, em reconhecidas condições de credibilidade, as eleições para a Assembleia Constituinte, o referendo para aprovação da nova Constituição e as eleições para o Parlamento. Agora, na sequência deste processo de democratização, acaba de ser instalado oficialmente o Conselho de Representantes (Parlamento nacional), a quem competirá, entre outras tarefas importantes, designar o próximo primeiro-ministro e eleger o futuro presidente da República.
O progresso político, porém, não pode nem deve ficar-se por um exercício de auto-estima. A sua consolidação terá de escorar-se na concretização de dois objectivos inadiáveis: em primeiro lugar, restaurar as condições de vida do povo iraquiano de acordo com um padrão mínimo de dignidade e conforto, o que passa pela recuperação das infra-estruturas básicas de energia, saneamento e água potável, pela criação de empregos e pelo alargamento do sistema do ensino público; em segundo lugar, reforçar as instituições – Forças Armadas e Polícia – a quem cumpre garantir segurança do Estado face às ameaças que, infelizmente, ainda se perfilam quer na área interna quer no horizonte externo. Mas mesmo nestes domínios sinuosos não deixa de ser um sinal algo encorajador que o Irão – num gesto onde se adivinham os bons ofícios locais – tenha revelado há poucos dias disponibilidade para encetar conversações directas com os Estados Unidos sobre o Iraque. A paciência pode voltar a dar os seus frutos...
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