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Correio da Manhã

Opinião
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12 de Janeiro de 2011 às 00:30

O caminho definido foi o de que quase não se falasse de eleições, enquanto a campanha subliminar decorria a coberto de visitas oficiais a autarquias amigas, sempre com muito povo e declarações vagas sobre a crise e a situação política.

A atenção pela campanha brotou pelas piores razões quando Cavaco, confrontado com questões menores que devia esclarecer de imediato, associa debate político a insulto, tentando confundir a gestão dos amigos pouco recomendáveis que criaram o BPN com insinuações sobre a atual tentativa de salvação do banco.

Pouco habituado a questões (im)pertinentes, voltou o político nervoso que acusava os mercados de vender gato por lebre trocando agora o bolo-rei de boca aberta pela queijada discreta.

O que devia estar a ser discutido era o papel do Presidente para criar as condições de estabilidade política e económica que travem a deriva suicidária dos apelos à gestão tutelada pelo FMI. Nada se tem ouvido sobre uma coordenação europeia em torno da defesa da estabilidade do euro e do modelo social europeu. Até quando confundirá Cavaco a concertação de posições contra a especulação financeira com radicalismo contra os intocáveis mercados.

A emissão de obrigações europeias, a intervenção concertada do BCE e uma voz política europeia denunciadora da irracionalidade dos mercados e do papel perverso das agências de rating são o antídoto que importa discutir para aprofundar a identidade europeia e combater a teoria do dominó da dívida pública.

A não ser que Cavaco esteja a preparar terreno para a rutura constitucional colocando, à conta da crise, o centro da decisão política no Presidente-economista honesto pairando aclamado nas urnas sobre a menoridade dos ditos políticos e a inocência do povo agradecido. Só uma segunda volta poderá ser o duche escocês político que permitirá testar a verdadeira agenda do candidato Cavaco.

À sombra da velha raposa política que é Cavaco tenta medrar o imaturo Passos Coelho, que reapareceu com a espantosa confissão de sonhar ser poder sob a batuta e à boleia do FMI… A agenda da revisão constitucional do PSD teria assim a sua versão económica importada e pronta a servir. O debate presidencial deve ser de opções claras, não de casos nem de agendas políticas ocultas.

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