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Correio da Manhã

Opinião
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30 de Junho de 2002 às 23:21
A quase hilariante, se não fosse triste, derrota de Portugal contra os Estados Unidos, a eliminação dos campeões do mundo sem glória nem vitória, a eliminação da Argentina, cotada como a melhor selecção da América do Sul nas eliminatórias, o grande sucesso dos países organizadores, especialmente a Coreia, o quarteto das meias-finais, etc..

Como prevíramos nesta coluna quase no início do Mundial, o equilíbrio entre selecções de todos os Continentes foi uma das notas dominantes. Três Continentes representados nas meias-finais foi coisa antes nunca vista.

Essa nota de equilíbrio é ainda incompleta, especialmente quando pensamos em termos de qualidade das arbitragens, mas também a esse nível a aproximação entre países se fará sentir cada vez mais.

Com este Mundial o que se fez sobretudo sentir é que o futebol está quase transformado no desporto global. Pela primeira vez quase todos os grandes países do planeta estiveram presentes na fase final: China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Brasil, Argentina, Alemanha. Maior ausência, a Índia, onde só uma pequena parte do país aderiu até agora ao desporto global. Isto em termos de praticantes, observe-se, pois em termos de audiências televisivas já é outra coisa.

De facto, em países que têm um desporto nacional há muito estabelecido (Estados Unidos com o futebol americano, o basebol ou o basquetebol, Índia/Paquistão com o cricket) é mais difícil e mais lento o futebol assumir uma posição de hegemonia. Não obstante, o futebol continua, pela sua emoção e simplicidade, a progredir no sentido de desporto hegemónico a nível do planeta. Em economia fala-se muitas vezes de verdade única. Com a homogeneização do planeta apoiada nas telecomunicações e especialmente na televisão, o futebol parece tender a tornar-se cada vez mais numa espécie de desporto senão único, pelo menos hegemónico, onde toda a gente sabe identificar os penteados de David Beckham ou de Ronaldo. Desejavelmente o futebol poderia servir também cada vez mais de escape a tensões nacionalistas que frequentemente são descarregadas de forma bem mais perigosa.
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