Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
6
21 de Março de 2003 às 01:31
Depois, mais uma vez, nos últimos anos, questionei-me: porque não podemos nós votar nas presidenciais dos EUA? Não é essa afinal a eleição que mais conta?
Quando é que fala Bush, já se sabe quando fala Bush? – É pouco depois das três, esclarece-me um companheiro de Redacção.

Pouco depois das três, esfreguei os olhos de espanto, não pode ser, isto não está a acontecer, dizia para mim mesmo, enquanto voltava a pressionar a tecla do comando para voltar à RTP 1. Mas afinal não estava a sintonizar nenhuma emissão pirata. A “mosca” era mesmo a da televisão pública, e aquele o satélite certo – directamente da Casa Branca.

Muito mais humano do que quando brinca com os cães, ou garante que foi Deus que o afastou do álcool, tínhamos ali à nossa frente o homem mais poderoso do Mundo. Nervoso e inseguro. Falava para o lado, tossicava, levantava os polegares para um qualquer assessor que, fora de campo, torcia para que o presidente vogasse todas as linhas do discurso com a segurança habitual. Foram uma verdadeira delícia estes momentos de câmara indiscreta na Sala Oval. Até a caracterizadora teve direito aos seus segundos de fama – jamais esquecerei aquelas mãos sábias, de meia idade, a vogar pela imagem de Bush.

Agora o cabelo, e... sublime detalhe, aquele sacudir do casaco presidencial por altura dos ombros. Uma, duas, três vezes. Testes de som. Tudo. A tudo tivemos acesso, nós portugueses e, presumo, ingleses e espanhóis. Enquanto todos os outros, americanos incluídos, aguardavam o momento solene de entrar no ar. E ver assim tão humano o frio líder do mundo, não me deixa dúvidas: só para isto, já valeu a pena alinharmos com George W. Bush contra todos os indecisos.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)