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Correio da Manhã

Opinião
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14 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Não foi necessário anunciar nada, e se tal foi feito pelos altifalantes, ninguém precisou de ouvir. Depois de um momento de silêncio e um passa palavra instintivo, lembro a irrupção de um grande aplauso à Irmã Lúcia, por todo o vasto recinto do Santuário, onde segundo escreveu o ‘Paris Match’ da semana seguinte havia mais de um milhão de pessoas.
A Irmã Lúcia vivia há mais de vinte anos em clausura no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, onde ontem faleceu. Em tempos menos mediatizados do que hoje e em que o controlo da informação limitava tudo, a Irmã Lúcia era uma desconhecida de quem os jornais e revistas não publicavam fotografias actualizadas.
A falha era colmatada com imagens dos seus tempos de criança, quando era a mais velha dos três pastorinhos ligados às aparições da Virgem, por cima de uma azinheira, na Cova de Iria. Daí que a sua presença surgisse como também uma aparição para as centenas de milhares de fiéis atraídos ao altar de Nossa Senhora de Fátima pela vinda de Paulo VI, numa das primeiras viagens papais após séculos de confinamento à diocese primaz da Igreja Católica Apostólica Romana.
A emoção foi enorme. A maioria dos presentes só vislumbrou a Irmã Lúcia a grande distância e não lhe ouviu dizer nada. Mas tal como em Maio de 2000, quando na beatificação de Jacinta e Francisco, ela falou para pedir aos fiéis que dessem graças a Deus, também em 1967 cumpriu a missão de ficar na Terra “mais algum tempo” para difundir a Mensagem de Fátima. No gesto de ajoelhar aos pés do Papa juntou humildade e fé, um dom sobrenatural em que os fiéis reconhecem os sinais da misericórdia e do infinito amor de Deus.
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