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Correio da Manhã

Opinião
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Octávio Ribeiro

A ausência de Soares

A lista dos dez portugueses mais votados para principal figura da nossa História encerra uma dupla surpresa: a ausência de Mário Soares e a presença de Álvaro Cunhal.

Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 15 de Janeiro de 2007 às 00:00
Entre os políticos do último século, só Salazar ombreia, na votação promovida pela RTP, com o líder histórico dos comunistas.
Entre dois vultos com vocações ditatoriais de sinal contrário, os votantes não encontraram espaço para a síntese. Da moderação não reza a História?
A Mário Soares deve Portugal, em 1975, a corajosa liderança do movimento que estancou as ambições de poder absoluto de Cunhal.
Foi pela mão de Soares que o País resistiu à mais grave crise económica já vivida em democracia e aderiu à Comunidade Europeia.
Mas nada disto foi bastante. Com a ausência nesta lista, Soares paga, muito provavelmente, a sua desastrada recandidatura a Belém. E as estranhas visões sobre o terrorismo fundamentalista, em especial, e o Médio Oriente, em geral.
Assim, com Soares apagado da fotografia, fica o séc. XX entregue a um fascista e a um comunista – os movimentos que, de facto, marcaram a opressão e as guerras dos últimos cem anos –, felizmente caldeados pelo génio alucinado de Pessoa e o altruísmo ético de Sousa Mendes.
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