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Correio da Manhã

Opinião
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11 de Novembro de 2006 às 00:00
Está tudo a mudar na Europa e no Mundo e, surpreendentemente, o futebol continua a viver sob a lei da contumácia.
Não é só o conservadorismo patente nas regras do jogo e no investimento que urge fazer na utilização das novas tecnologias em defesa da verdade desportiva. O tempo que se leva para colocar juízes de baliza para evitar a validação de ‘golos’ que não o são e da ‘invalidação’ de golos que não são homologados no respectivo resultado! Há quem pense que tudo começa no hermetismo da FIFA e nas suspeitas lançadas sobre Joseph Blatter, no Inverno de 1998, que ainda não conseguiu explicar como apareceu numa das contas da FIFA a soma de um milhão de francos suíços proveniente da ISL (International Sport and Leisure). As investigações jornalísticas e as perguntas não cessaram. As respostas, segundo a lei, podem surgir até ao final de 2008. Será por isso que se abate sobre nós a ideia de que é preciso manter a mentira porque ela é a essência do negócio futebol?
Quem se conforma com isso? A UEFA já deveria ter percebido que os quadros competitivos existentes na Europa, para Clubes e Selecções, estão obsoletos. Foram ultrapassados no começo da década de noventa com a nova geografia do Velho Continente. Há países como Portugal e Espanha que podiam ‘agregar’ os seus campeonatos (três ou quatro equipas portuguesas a participar numa Liga ibérica, mantendo-se o campeonato português com equipas ‘B’ dos emblemas mais representativos e com todas as outras que revelem ter condições para participar na competição profissional). A Holanda e Bélgica fazerem o mesmo. Estudar a situação entre a Suíça, Áustria e Hungria, por exemplo. Verificar se há alguma equipa suíça com condições para entrar na Bundesliga. Ver o mesmo na Escócia em relação a Inglaterra. As fronteiras estão abertas para tudo menos, ao que parece, para se darem passos maiores no futebol. Criando-lhe modernidade e uma outra força. A modorra é que não...
Em Portugal, temos esta coisa fantástica de se realizarem jogos à segunda-feira à noite, televisionados, e parece uma missão impossível devolver o futebol às famílias para os sábados e domingos à tarde. As televisões não deixam? E qual é o papel dos clubes? Só servem para a guerrilha entre dirigentes? Com a agravante de, por causa de um jogo com o Cazaquistão (próxima quarta-feira) não haver jornada neste fim-de-semana. Mesmo que o adversário se chamasse Espanha, Alemanha ou França, a paragem seria discutível à luz dos hábitos de maior competitividade que se deveria incutir no nosso futebol (a verdade é que basta forçar mais um bocadinho e os jogadores, aqui, ficam ‘coxos’!); agora com o Cazaquistão, a equipa já tão valorizada no discurso de Scolari... por amor de Deus!
É a estes senhores (com Madail à cabeça) que está entregue o nosso futebol.
Por outro lado, o Governo de Sócrates, reformista até à medula, ao ponto de querer pôr os bancos a pagar mais IRC, o que é observado pela oposição como uma jogada de compensação pelo estrangulamento social vivido pela esmagadora maioria dos portugueses, parece não querer deixar o futebol de fora (Segurança Social, Imposto sobre Imóveis, nomeadamente). Não se compreende, por isso, nesta onda de reformismo e num regime de ‘aperto de cinto’ porventura sem paralelo na história da Democracia portuguesa, que a Caixa Geral de Depósitos (ou será de Desportos) se tenha disponibilizado a disputar com a banca privada a posse dos direitos de imagem de Scolari. Então e o objecto das preocupações sociais da Caixa? Vêm paralelamente ou a posteriori com outro tipo de iniciativas, alcançando outro tipo de personalidades e instituições. Uma mão não segura a outra. O Estado dá roda livre à Caixa ou prefere fechar os olhos? O Estado participou, indirectamente, na manutenção de Scolari no posto de seleccionador? Não há uma palavra de José Sócrates ou do ministro Teixeira dos Santos sobre esta matéria?
Enquanto dura o casamento entre Madail e Scolari, o presidente da FPF, atropelando os estatutos, queria adiar as eleições federativas. Porque a nova Lei de Bases ainda não foi aprovada, blá, blá, blá, blá. Mais situações de excepcionalidade para o futebol, um hábito que se criou. Madail viveu anos a fio queixando-se de nada mandar. Essa situação pouco o incomodou. Agora, com o País de tanga, quer organizar o Mundial de 2018. Que sabe Scolari do passado para dizer que Madail foi o melhor presidente da FPF dos últimos 100 anos?!!! Querem fazer-nos de tolos? Bush também tentou, junto dos norte-americanos. Pagou a basbaquice.
Ninguém põe esta gente na linha?
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