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Correio da Manhã

Opinião
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25 de Agosto de 2004 às 00:00
Gary Hall-pai não gostava da boémia. Uma realidade difícil de aceitar para um nadador que esteve em três Jogos Olímpicos – Munique, México e Montreal –, onde ganhou medalhas de ouro, prata e bronze. Mas pouco podia fazer: Jr. era maior e auto-suficiente. Quando precisava de dinheiro, usava o corpo, que é como quem diz fazia exibições de músculos na praia a troco de alguns dólares.
Com persistência, o pai lá o conseguiu convencer a tentar chegar a equipa de natação dos EUA. Apesar de nadar mais na praia do que na piscina, Gary Hall Jr. conseguiu os mínimos e esteve em Sydney. No regresso, deixou a beira da praia e investiu na carreira olímpica. Só uma condição ficou do passado: treinar pouco.
Em Atenas, quem viu um atleta de 30 anos conquistar a medalha de ouro na prova mais rápida da natação, os 50m livres, tem dificuldade em imaginar que esse foguete aquático é Gary Hall Jr. Para mais com uma impressionante marca de 21,93s, apenas a duas décimas do recorde olímpico de Popov (21,91, em Barcelona).
Mas nem todos os campeões se podem dar a este luxos. A americana Barbara Lindquist, n.º 1 do Triatlo e hoje adversária de Vanessa Fernandes em Atenas, fez as suas duas primeiras provas profissionais durante a lua-de-mel, em 1996, para assegurar que não comprometeria a forma para o resto da época.
Com a mesma idade, Michael Phelps bateu o recorde mundial dos 200m mariposa. Mas, enquanto Gary Hall Jr. se banhava no mar, Phelps nadava todos os dias, mais do que uma vez – fosse Natal ou Dia da Independência.
Em Atenas acertaram-se as contas entre a boémia e o trabalho: Gary Hall Jr. ganhou uma medalha, Phelps conquistou oito.
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