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Correio da Manhã

Opinião
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19 de Outubro de 2004 às 00:00
1. O FC Porto deu sinais de ter crescido como equipa. O clube gosta de desafios e mais uma vez a firmeza inicial foi determinante. Seguro atrás, superior no meio-campo, abusou da ironia: o mal amado McCarthy encheu a alma com um golo enorme. O Benfica decidiu inovar num jogo de alto risco, com Geovanni no meio, Sokota na bancada e uma substituição aos 25 (!) minutos. Dominado na primeira parte, demonstrou carácter na segunda. Podia perfeitamente ter empatado. Acabou por perder. Qualquer que fosse o resultado teria ficado demonstrada a escassez de opções, sobretudo quando é preciso fazer golos. O Benfica não mostra imaginação. Se um dia Miguel se constipar o problema será grave. O clubes ‘encarnados’ continuam na frente, mas o FC Porto saiu da Luz a achar que vai ser campeão. Percebeu-se porquê.
2. O futebol continua imperfeito, pouco mudou. Continua a ter jogadores, árbitros, bola e um objectivo: ganhar. Os futebolistas são mais velozes e fortes, a bola leve e imprevisível. O árbitro permanece o tipo do apito. Em redor do jogo, pelo contrário, o futebol é modernaço, inchado de cameras, televisões e marisco nos camarotes. Discute-se o que se vê no ecrã. Nas últimas décadas a vida do árbitro piorou. Restam três alternativas: desconfiar de todos eles e permitir que o caos se instale; aceitar que o erro equivale à bola que bate na trave; implorar à FIFA que entenda os novos tempos e se adapte. Sempre achei que na segunda via estava a virtude, mas para isso seria necessário que todos os intervenientes tivessem cultura desportiva. Uma impossibilidade, rendo-me. Não encaixar os erros de Benquerença é apenas o último exemplo.

P.S. – Depois de cenas como a da conferência de imprensa do Benfica-FC Porto é costume soltar a frase batida «batemos no fundo». Nada mais errado. Entre José Veiga, Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa existem histórias antigas e pessoais que o tempo ameaça agravar e não resolver. Infelizmente para quem gosta de futebol há também uma bola. Antigamente os duelos resolviam-se a tiro. Hoje o microfone é a arma de arremesso, portanto isto vai durar…
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