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Correio da Manhã

Opinião
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3 de Junho de 2011 às 00:30

É uma opção profundamente desoladora, porque significa que para os três únicos partidos que nos querem governar o eleitorado deve ser caridosamente protegido da verdade, como aquelas criancinhas que nós distraímos da injecção e que só percebem o que lhes está a acontecer no momento em que a agulha perfura a pele.

Para ser justo, não sei se a campanha poderia ter sido de outra maneira com este PS. Sócrates tem a energia desesperada dos que tentam salvar a vida, e quando se esbraceja no meio de um pântano a primeira coisa que vem à cabeça não são argumentos racionais. O nosso inefável primeiro-ministro só fez duas coisas: condenar o PSD nos dias ímpares e indignar-se com o PSD nos dias pares. Ele é a bactéria E. coli e Portugal o seu pepino. Ao fim de seis anos, já só trinca quem quer.

Mas a verdade é que o PSD mordeu o isco. Passos Coelho esteve bem nos debates mas mal em campanha, perdendo-se em assuntos laterais e aceitando o silenciamento do memorando. Falou do que não devia e calou o que tinha obrigação de dizer. Como é possível que tenhamos ouvido falar mil vezes mais de Novas Oportunidade do que de Justiça? Andamos há mês e meio em campanha, o que é um absurdo de tempo, a discutir nada do que interessa, o que é um absurdo democrático. Portugal caiu nos círculos do Inferno e ninguém parece ter qualidade ou lucidez para o retirar de lá.

No próximo domingo, lá terei de me arrastar até às urnas para votar PSD. Mas eu estou com Manuela Ferreira Leite. Não voto PSD porque quero eleger Pedro Passos Coelho. Voto PSD porque quero derrubar José Sócrates. Como gesto político, não é nada animador. É simplesmente o que tem de ser feito.

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