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Correio da Manhã

Opinião
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Joana Amaral Dias

A conta do vigário

As Moody’s deste mundo anunciam consultas com precisão laser. Praticam sessões de bruxaria.

Joana Amaral Dias 16 de Janeiro de 2010 às 00:30

Uma tal agência Moody’s disse que corremos risco de morte. Lenta. E logo os economistas, os economicistas e os apocalípticos do País se encheram de razões. É preciso ter muita lata. Muita mais lata do que a sucata de Godinho.

Essa firma é subsidiária de uma companhia endividada até aos cabelos. Mais. Portugal nunca deixou de pagar o que deve, ao contrário da banca privada credenciada por essas agências de rating, que, aquando da ruína do sistema financeiro, nada previram. E que foram responsáveis pela crise, avaliando positivamente os chamados "lixos tóxicos". Enfim, acertam menos que leituras de folhas de chá, palma da mão e do pé. Merecem a credibilidade de alguém a vender a Torre Eiffel às prestações. Mas estas instituições, tão dependentes dos interesses dos mercados quanto os parasitas da pele do boi, ainda são vistas como oráculos. E exercem um enorme poder sobre os Estados, que, assim, insistem nas políticas que nos trouxeram a este buraco. Queremos ultrapassar a crise? Mesmo? Substitua-se esses organismos por outros com supervisão pública, sem fins lucrativos. E encare-se as Moody’s deste mundo como o que são: anunciam consultas com precisão laser. Praticam sessões de bruxaria. Para sultões.

(pensaalto@gmail.com)

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