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Correio da Manhã

Opinião
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3 de Junho de 2003 às 00:00
Um campeonato cuja lista de goleadores nunca foi comandada por pontas-de-lança e que, no fim, acaba por ter como melhor marcador o ponta-de-lança de uma equipa que, até à última jornada, esteve para descer de divisão, é um campeonato em que faltam goleadores.
Mais do que uma carência meramente acidental, estamos diante de uma crise intrínseca e estrutural do futebol português, onde, desde sempre - e apesar do golo ser o a essência e o clímax do futebol - não sei se não os procuram, se não tentam formá-los ou se não aparecem talentos vocacionados para isso. E a prova está feita: onde é que, a não ser na Turquia, um jogador como Jardel - e eu não digo que ele, nessa função, seja um jogador vulgar - comete a proeza de, nos seis anos que leva a jogar em Portugal, com excepção deste último, e pelas razões que se viram, é capaz de ser em todos esses anos seguidos, e de longe, o melhor marcador de todos os campeonatos em que entrou?!
Não é, enfim, por acaso que Simão, o melhor homem-golo português, comandou os marcadores quase desde o início e que a maioria dos nomes dessa lista (há apenas 5 portugueses nos primeiros 15), tal como o vencedor, Fary - quanto valerá neste mercado surrealista o senegalês - , são estrangeiros. E quanto a pontas-de-lança da "casa" eles contam-se pelos dedos. Se até o talentoso Postiga, dos campeões, aparece em 5.º lugar, com tantos golos como o médio Tiago, do Benfica...
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