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Correio da Manhã

Opinião
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8 de Julho de 2013 às 01:00

Esta crise política que estamos a atravessar obriga-nos a repensar o papel e a forma como os partidos políticos exercem a sua ação na democracia portuguesa.

Eles são os grandes e quase únicos instrumentos disponíveis para obtenção e organização do poder político, pelo que, se funcionarem mal, contaminam o País, e dificultam a marcha para a sua necessária recuperação. Não está em causa a sua existência, mas tão só a sua organização e modo de funcionamento.

A presente crise evidenciou, e com abundância, aquilo que se tem vindo a diagnosticar, no âmbito da insuficiente preparação do pessoal político dirigente para assegurar o comando institucional do Estado.

A questão a colocar é, então, como conseguir que tal não venha a suceder no futuro, sob pena de, perante o permanente clima de crises que iremos atravessar nos próximos anos, não dispormos de pessoas capazes e com a maturidade adequada para as enfrentar. Por isso, é urgente atacar o problema em vários planos.

O primeiro deve consagrar que o exercício da política permite que um cidadão possa exercer funções políticas em qualquer órgão, por um período de tempo, ou seja, o exercício de funções políticas não se destina apenas a profissionais partidários.

O segundo deve consagrar o princípio que a escolha dos lugares eletivos em órgãos de Estado tenha um filtro partidário, mas este não pode ser demasiado, para que a referida escolha possa ser a mais ampla e abrangente possíveis. Por isso, também a reforma do Estado por mais apregoada que seja, nunca passa além da letra da lei, e, quando lá chega já é celebrada como vitória.

Em terceiro lugar, obrigar a que os vários partidos políticos não usem o seu poder atual e futuro, sobretudo como instrumento de ascensão profissional dos seus membros, mas antes como representantes dos cidadãos.

Enquanto estes virem nos seus partidos algo que não os serve, servindo sobretudo os seus filiados, o descrédito e o afastamento serão permanentes. É por tudo isto que temos de perceber que só haverá boas políticas quando os instrumentos que as produzem tiverem qualidade, e, como em democracia são os partidos que os configuram, temos de fazer tudo para que eles mudem para melhor.

Se o não fizermos a queda continua, e a falta de esperança também.

Ângelo Correia crise partidos recuperação
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