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Correio da Manhã

Opinião
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16 de Dezembro de 2003 às 00:20
Moreira; Miguel, Hélder, Ricardo Rocha e Cristiano. O Benfica não sofre golos há quatro jogos consecutivos sempre com esta defesa. Talvez esteja encontrado o ‘sistema’ ideal e bem se pode dizer que não foi por falta de tentativas (já foram testados oito quartetos defensivos diferentes). O mais curioso é que ninguém parou um segundo para pensar na palavra-chave – estabilidade. Utilizar a mesma defesa quatro jogos seguidos favorece a criação de hábitos, entrosamentos e rotinas de jogo que são praticamente impossíveis de alcançar quando há alternância constante de titulares. Escrevo sem ter reparado se há novos desenvolvimentos da inefável ‘novela Fyssas’ (às vezes parece que o grego é que vai resolver todos os problemas da equipa...), mas parece-me que é geralmente aceite que a defesa do Benfica, vista como um todo, não é uma coisa do outro mundo. Tem dois futebolistas de categoria indiscutível – um jovem Moreira em fase de amadurecimento acelerado e Miguel, o lateral-direito titular da selecção – e o resto é o que se pode arranjar. Hélder defende-se como pode, Ricardo Rocha também e Cristiano, o futuro suplente de D. Sebastião Fyssas, vai andando. Argel é o que se sabe e Luisão vamos ver. Ou seja, o Benfica tem Moreira e Miguel, mas não tem nenhum Ricardo Carvalho, nenhum Ricardo Costa, nenhum Beto, nenhum Polga. E o Jorge Costa do Benfica chama-se Hélder. Ponto. Por isso, é importante a estabilidade. O FC Porto pode trocar de centrais que não se dá por ela. O Sporting pode trocar de laterais que a casa não treme. Já o Benfica precisa de estabilidade como de pão para a boca, até porque o pão não abunda. A estabilidade, em última análise, permite disfarçar muita coisa e ajuda a criar uma rotina de jogo. Um entendimento.
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