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Correio da Manhã

Opinião
18 de Fevereiro de 2012 às 01:00

Ora o mundo empresarial, mais do que a actividade financeira, implica uma negociação complexa com o mundo do trabalho. Estará o actual governo a preparar, nos melhores termos de racionalidade e equilíbrio, esse necessário e exigente contrato social? Nem pouco mais ou menos. O governo está a iludir a componente patronal sobre a fraqueza que induziu na parte laboral.

Deste modo, no último sábado, a CGTP promoveu uma manifestação e peras no Terreiro do Paço. Não cuido se foram cem ou trezentos mil, pois foi impressionante. Por enquanto, a filosofia não violenta do movimento sindical consegue organizar grandes manifestações sem problemas de ordem pública, um bem precioso.

Poderá haver um momento em que as centrais sindicais se vejam ultrapassadas pelas ‘bases’ e pela multidão de desgraçados gerados pela loucura monetária. Algo parecido já aflorou no episódio do bloqueamento da fábrica Cerâmica de Valadares, um caso que segui com atenção. Dos cerca de 400 empregados, mobilizou--se uma centena à volta de um sindicato do sector e de uma comissão de trabalhadores da empresa para exigir o pagamento de salários em atraso. Várias vezes se chegou a um entendimento com a administração sobre o calendário desse pagamento, mas os trabalhadores não estiveram de acordo com os seus representantes. Nem o facto de se ter chegado depois a um acordo, que muito se deveu à boa-vontade entre as partes negociais, deve distrair do que se está a anunciar. Nem sempre existe o mesmo espírito de empresa.

O acordo de concertação social não resistirá ao primeiro sopro.

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