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Correio da Manhã

Opinião
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19 de Março de 2011 às 00:30

Este surgiu graças à janela de oportunidade oferecida pela dupla José Sócrates/Teixeira dos Santos e o viciado processo de decisão entre os poderes europeus do dia e o governo da República. Através de meras comunicações orais à Imprensa, foi apresentada uma nova série de medidas de austeridade – umas para aplicação imediata, outras para se desenrolarem nos anos de 2012 e 2013, umas para o programa de estabilidade, outras, talvez, para dar algum seguimento ao chamado "semestre europeu" no caso de este vigorar. Todas para chegarem aos ouvidos da cimeira extraordinária em Bruxelas. Consequências da confusão política e burocrática em que mergulhou a UE.

Porém, essas medidas, com calendários diferentes, não resultaram de nenhuma resolução do Conselho de Ministros, e não foram comunicadas ao PR. O ministro Teixeira dos Santos chegou mesmo a adiantar que não lhe parecia matéria para levar ao Parlamento! Foram "procedimentos" considerados, maliciosamente, pelo PSD como suficientes para abrir uma crise política que levará – tudo o indica – à dissolução da AR e à realização de eleições antecipadas.

Caso assim seja, não deixa de ser relevante tomar nota de que a crise política passa toda ao lado de Cavaco Silva, recolhido a quartéis no Palácio de Belém.

É certo que o PR ainda pode tentar encontrar uma solução governamental no actual quadro parlamentar, mas a tarefa parece votada ao fracasso. Um governo de concentração nacional, que acabará por se impor depois de novas eleições, esbarra com ânimos muito adversos, e com protagonistas partidários ainda à procura de uma hegemonia pírrica para governar o País com uma agenda pessoal ou ideológica. Ninguém me convence de que um governo mais à direita seja a solução para a gestão da crise em que estamos mergulhados, e que, tudo o indica, se irá aprofundar nos próximos tempos.

Ora, depois das impressionantes manifestações de sábado, tornou-se mais difícil governar Portugal. Pelo menos governá-lo numa certa direcção unilateral e estrangeira aos interesses dos portugueses.

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