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Correio da Manhã

Opinião
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João Vaz

A Europa de alguns

É terrível enfrentar um controlo policial de documentos no estrangeiro. Na Europa rica, onde a situação é frequente, o problema agrava--se se a pessoa parecer árabe ou cigano, e torna-se castigo para os negros.

João Vaz 22 de Agosto de 2010 às 00:30

Este tratamento xenófobo já atingiu muitos portugueses quando nos anos 60/70 iam ‘a salto’ para França. Lembro-me do caso de uma adolescente filha de imigrantes que esteve vários dias detida numa esquadra por ser apanhada no metropolitano sem bilhete nem documentos.

Na altura, aguentava-se a segregação como castigo por a ditadura nos colocar à margem da Europa desenvolvida. Foi enorme o regozijo com a entrada de Portugal para a CEE. A auto-estima subiu por podermos passar fronteiras só com bilhete de identidade, tal como já faziam antes os franceses, alemães, holandeses e outros com documentos que nem fotografia tinham.

O caso dos regressos de romenos ao seu país por a França os considerar indocumentados mostra que a crise económica acabou com ‘a Europa connosco’. A UE-27 está dividida em vários escalões. Não há só as duas velocidades do com ou sem moeda única. As diferenças de condições de vida são confrangedoras para os pobres e o egoísmo nacionalista reduz o sonho de futuro para uma civilização a uma Europa de alguns. Percebe--se, assim, porque é que esta UE não liga às raízes cristãs da Europa criada por Roma.

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