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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Carlos Moedas

A Europa em que eu acredito

Temos de lutar pela Europa mais do que nunca. Uma Europa que nos proteja, que crie emprego.

Carlos Moedas 11 de Maio de 2018 às 00:31
O Vento Suão é a história de um homem que lutou pelo seu País como poucos. Nasceu num Portugal em ditadura e por ser pobre nunca estudou. Na sua infância refugiou-se nos livros. E um dia começou a escrever porque acreditava que assim podia mudar o mundo. José Moedas teve altos e baixos na vida, viu o seu ‘Diário do Alentejo’ ir à falência para voltar a nascer, mas nunca deixou de escrever o seu Vento Suão até ao último dia da sua vida.

Um dia perguntei: Pai, o que é o Vento Suão? E ele disse-me: Sabes … é aquele Vento que não nos deixa parar de lutar, que nos obriga a olhar para a frente. É uma brisa quente que vem do Sul que nos inquieta, que nos mantém atentos e que nos ensina que na vida nada é para sempre.

Esta semana festejamos o dia da Europa, o dia Schuman. Nesse dia pensei no meu pai e no Vento Suão. Pensei que nada está garantido, que temos de lutar pela Europa mais do que nunca. Uma Europa que nos proteja, que crie emprego e sobretudo uma Europa transparente.

Se queremos uma Europa que nos proteja, precisamos de uma Europa forte que possa tomar decisões no combate às alterações climáticas ou cibersegurança. Sim, estes desafios não têm fronteiras. Não podemos continuar reféns de uma Europa feita pela constante unanimidade das decisões. Acredito numa Europa das maiorias não das unanimidades.

Se queremos uma Europa que crie emprego, temos de investir mais em ciência e na inovação. Foi isso que a Comissão Europeia fez ao investir mais na ciência.

Se queremos uma Europa transparente, as suas competências têm de ser claras. Como pode a União Europeia resolver injustiças fiscais ou lutar contra o desemprego jovem se não tem competências para isso, por serem da responsabilidade nacional dos países? Acredito na obrigatoriedade de ensinar o que é a Europa desde o ensino primário. Tenho por isso orgulho que a proposta de orçamento que fizemos duplique as verbas para o programa Erasmus.

Esta é a Europa em que acredito. Escreverei aqui semanalmente a relembrar que nada está garantido e que precisamos de lutar. Precisamos do Vento Suão para nunca desistir.

BASTIDORES
Democracia digital 
A seguir ao Natal, o Presidente da República partilhou comigo as suas preocupações acerca da fraca participação dos jovens na vida democrática da nossa sociedade, apesar de usufruírem hoje em dia de novas tecnologias que poderiam facilitar esse exercício.

Ficou o repto que se concretizou esta semana com uma conferência que organizamos em conjunto na Universidade Nova de Lisboa. A democracia 4.0: a revolução tecnológica, a democracia digital, a democracia participativa, as vertigens da desinformação e os riscos e oportunidades da Inteligência Artificial foram os temas de um debate que contou com oradores nacionais e internacionais e uma sala cheia de jovens.

Sendo um ‘tecno-optimista’, acredito que o nosso quotidiano vai beneficiar da robotização e da inteligência artificial. No emprego, na saúde, na democracia. Mas sempre numa lógica complementar e não de substituição dos seres humanos. São evoluções tecnológicas inevitáveis, mesmo se por vezes assustadoras. Mas o progresso não é neutro e não podemos ser indiferentes aos seus efeitos.

De uma coisa estou certo: a tecnologia nunca substituirá as nossas emoções e os nossos afetos. O Presidente da República é prova viva disso.

João Sousa,
O tenista talentoso
A vitória de João Sousa foi simbólica ao ser o primeiro português a vencer em casa, levado ao rubro pelo público do Estoril Open. A sua terceira vitória num torneio ATP é provavelmente a mais saborosa. Não duvido que muitas outras vitórias virão para este tenista talentoso.

A ignorância histórica de Trump
Num comício no Michigan, o Presidente disse que "a União Europeia foi formada para tirar proveito dos Estados Unidos, mas eu não os culpo [a UE]". Declarações infelizes e reveladoras de ignorância histórica, poucos dias depois de ter recebido Angela Merkel e Emmanuel Macron na Casa Branca.

283€
É o contributo médio de cada cidadão europeu por ano para o orçamento da União Europeia. Ou seja, menos do que o preço de um café por dia. No caso de Portugal, este valor é ainda mais pequeno já que o nosso país recebe mais do que aquilo que contribui para este orçamento europeu.

UMA EUROPA QUE
Apoia
...os jovens. A minha geração descobriu a Europa com o Interrail. Já este Verão, o #DiscoverEU vai oferecer a jovens europeus 15 mil passes de comboio para viajar gratuitamente até 30 dias e visitar até 4 destinos diferentes. Para descobrir o que une os europeus.   

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