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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Agosto de 2004 às 00:00
Nos Jogos Olímpicos, porém, o saber pouco conta, é com o corpo que se ganha e perde. A mente serve só para potenciar o esforço.
Os candidatos a homens mais rápidos do mundo, os que correm os 100m abaixo dos dez segundos, sentem isso melhor do que ninguém. Sabem que os anos são inimigos da leveza e da eficácia dos músculos e que pernas jovens até querem correr sozinhas.
Frank Fredericks, 37 anos, que o diga. Em Atenas, o ainda detentor da sétima melhor marca de sempre, resistiu à primeira eliminatória dos 100m (nas mulheres, Gail Devers, 38 anos, nem isso), mas por oito décimas ficou fora das meias-finais.
“Há muitos jovens rápidos e isso é bom ”, disse conformado Fredericks. Entre outros – a média de idades da final de ontem foi de 25 anos – o namibiano referia-se a Justin Gatlin. Quando, em 1996, Fredericks fez 9,86s o jovem americano tinha 14 anos, hoje tem 22, plenos de irreverência: “Sou o mais novo dos três (Fredericks e Greene), e quero mostrar ao mundo o que é que os mais novos são capazes de fazer.”
É saudável esta competição entre gerações, mas mais bonito do que ver os jovens ganhar é ver os envelhecidos participar: como Merlene Ottey, 44 anos. Na sua sétima participação olímpica, a ainda quarta mulher mais veloz de todos os tempos, falhou a final dos 100m. Merecia mais, pela impressionante condição física: foi traída por apenas três décimas. Quando viu o seu resultado no ecrã, sorriu. “O que aconteceu? As miúdas estiveram melhor”, disse. Não se impressionou com a (nova) sensação de perder: vai correr os 200m. Admirável.
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