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Correio da Manhã

Opinião
18 de Março de 2007 às 00:00
O vento corre de feição à RTP: Março está quase ganho e a vitória do Benfica na última eliminatória da Taça UEFA é já share em caixa para o mês que se segue. Os dois jogos com o Espanhol de Barcelona (dias 5 e 12) pertencem à televisão pública e constituem, desde logo, um tremendo balanço para as contas da RTP em Abril. Mais: caso o clube português siga em frente, como todos os portugueses desejam, o primeiro jogo da próxima fase – meias-finais – será ainda no mesmo mês de Abril e também já com direitos de transmissão assegurados pela estação pública.
Quer isto dizer o quê? Que estando a RTP muito perto de conseguir fazer história em Março (não vence um mês há mais de uma década!), pode até, eventualmente, repetir o feito... logo em Abril. É que, para além dos dois jogos europeus do Benfica já garantidos (há ainda a hipótese de um terceiro, também para a UEFA, no dia 26), a RTP transmite ainda as duas meias-finais da Taça de Portugal, a 18 e 19. Dir-se-á, com isto, que a responsabilidade dos bons resultados globais é apenas do futebol. Nada mais falso. A RTP teve muito mais futebol no passado e isso não lhe bastou para ser mais forte.
Quem pensar que a força da actual televisão pública se deve apenas ao futebol, está enganado e a perder tempo com uma falsa questão. O grande mérito foi o considerável alargamento na base de telespectadores. A RTP engordou as suas manhãs, as tardes e tem encontrado, pontualmente, algumas boas soluções para a noite. E aí, sim, quando não há solução... há futebol.
Dois exemplos de boas soluções para o horário nobre: ‘Dança Comigo’, que regressa no último dia deste mês, e ‘Diz Que É Uma Espécie de Magazine’. No primeiro caso, o programa resulta semanalmente num grande – e familiar – espectáculo televisivo (onde se faz sentir a boa marca da Endemol), que ainda por cima conta com a melhor apresentadora que existe em Portugal – Catarina Furtado. No segundo, estamos a falar do maior fenómeno humorístico pós-Herman. Melhor cartão de apresentação é difícil.
Dentro de poucas semanas a RTP estreia ‘Conta-Me’, uma série que em Espanha depressa se transformou num fenómeno de popularidade. Ninguém sabe se, para Portugal, a adaptação será bem feita e, mesmo que o seja, se ainda assim se repetirá o êxito do país vizinho. Mas uma coisa está segura: com esta série, a RTP aumenta, ainda mais, a diversidade da oferta no prime-time. Coisa que, como se vê, a concorrência não faz: novelas e, agora, um reality show. É pouco.
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