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Correio da Manhã

Opinião
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24 de Maio de 2005 às 00:00
O Benfica ganhou com justiça o campeonato mais disputado de sempre. A conquista resume-se numa frase – com mérito/sem brilho – e esta equipa de Trapattoni fica para a história por uma razão concreta: quebrou o maior jejum da história do clube e provocou uma festa nacional como não há memória nos anais futebolísticos.
Houve mérito de um conjunto unido e solidário, com destaque para cinco jogadores – Simão, Petit, Manuel Fernandes, Luisão e Miguel; houve mérito de Trapattoni, o treinador experiente e pragmático que rentabilizou ao máximo um plantel curto e desequilibrado; houve mérito e uma grande vitória pessoal de José Veiga, o homem que apostou em Trapattoni e geriu a campanha da equipa em condições pessoais muito difíceis; houve mérito e uma clara vitória pessoal de Vieira, indiscutivelmente o presidente da retoma: com ele o Benfica reencontrou a vocação ganhadora.
À Taça da época passada, LFV é bem capaz de juntar a ‘dobradinha’. A força e a dimensão universal do Benfica ficou bem à vista na explosão de alegria que fez estremecer Portugal. Já se sabia que a festa ia ser grande, mas a coisa ultrapassou tudo o que se esperava. Foi impressionante ver o País em festa, num grito que se alargou a todo o mundo português. O mau perder congénito do Porto também ficou à vista no triste episódio da Avenida dos Aliados.
Um bilioso adepto azul-e-branco explicou na TVI porque razão o Benfica “não tinha o direito de festejar ali”: “eles que vão para a p... da terra deles”. O problema é que a “p... da terra deles” não é Lisboa – é o País, a começar pelo Norte, onde o Benfica tem quatro ou cinco vezes mais adeptos que o próprio Porto. Incrível como ao fim de 20 anos de sucessos ainda haja adeptos deste clube (e há tantos...) que não conseguem aceitar com civismo os triunfos dos outros. O ódio, a pequenez que por ali vai. Enfim, o FC Porto terminou na mó de baixo uma época medíocre (PC estoirou o legado de Mourinho e queimou 3 treinadores) mas conseguiu salvar o 2.º lugar porque o Sporting, de rastos, ainda fez pior com o Nacional. Couceiro estava ‘demitido’ publicamente há mês e meio e Peseiro sai penalizado desta semana e meia – duas finais, três jogos, só derrotas.
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