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Correio da Manhã

Opinião
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Fernanda Cachão

A fraude do truca-truca

Em Portugal desapareceram 111 mil crianças entre 2009 e 2010. Não é um caso de polícia. É um caso de fuga ao Fisco.

Fernanda Cachão 24 de Janeiro de 2012 às 01:00

Para quem tenha andado a fazer contas à economia doméstica do cidadão Aníbal Cavaco Silva e por isso distraído das restantes notícias, passamos a explicar. Em 2011, as Finanças obrigaram a que, mesmo de fraldas, os novos portugueses passassem a ter número de identificação fiscal – décadas antes de se verem confrontados com a necessidade tão incerta de terem de trabucar – mas com isso resolveram um caso que, escrito, seria best-seller para competir num país nórdico com a saga ‘Millennium’. Houve quem declarasse filhos a mais para pagar impostos a menos.

Lembrámo-nos do tempo em que Natália Correia discordou à letra mas em verso com certo deputado do CDS, o que defendeu que o acto sexual servia unicamente à reprodução. "Já que o coito – diz o Morgado –/ tem como fim cristalino (...) fazer menina ou menino;/ e cada vez que o varão/ sexual petisco manduca/ temos na procriação/ prova que houve truca-truca (...)".

Pois D. Natália e Sr. Morgado, o Fisco provou que neste Portugal contemporâneo a questão do truca-truca é inteiramente subjectiva.

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