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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Março de 2003 às 00:33
Foi assim, perante este cenário, que teve início uma operação de destruição que, ao segundo dia, recebeu o nome de "Choque e Terror". Não há mesmo volta a dar: a televisão pública estava, óbvia e evidentemente, melhor preparada do que qualquer concorrente para um cenário que se adivinha há bastante tempo e, por isso mesmo, o que mais se estranha não é o festival de informação que José Rodrigues dos Santos e seus pares têm distribuído por estes dias: o mais surpreendente é, isso sim, a incapacidade que a estação líder – a TVI – tem revelado para responder a um acontecimento de tamanha envergadura.
Ainda não apareceu, em Queluz, quem mostrasse estar à vontade a comentar, a apresentar ou a analisar o que se passa no Iraque e nos países em seu redor. Paralelamente, a estação de Moniz não conseguiu fazer avançar para o palco dos acontecimentos um único nome de peso (não sendo um factor decisivo, sempre revela a "indisponibilidade" de algumas estrelas…), viu-se na necessidade de convocar à pressão o "desaparecido" Henrique Garcia e, contas feitas, percebe-se que só não perdeu mais público porque, com a mestria habitual, o director-geral conseguiu "alavancar" muito bem os pobres Especiais de Informação (denominados "Alvo Bagdad") com a sua sempre imparável produção nacional. À primeira vista, pode parecer estranho exibir um episódio de "Saber Amar" no dia em que tem início um conflito desta dimensão, mas alguém se lembrará que dez horas depois das Torres Gémeas terem desabado estava no ar um episódio do "Anjo Selvagem"?
Números são números e em tempo de guerra não se limpam armas, é certo. O problema é que, olhando para o trabalho que está feito (sobretudo por nomes como José Rodrigues dos Santos, Carlos Fino e Paulo Camacho), algumas vedetas de pré-fabrico deviam pensar duas vezes antes de voltar a participar em programas de "apanhados" ou fazer duvidosas figuras empunhando um microfone no palco das canções do Centro Cultural de Belém. Porque, infelizmente, de vez em quando existem umas guerras… Estamos todos a pedir para que isto acabe depressa. Mas uns mais do que outros, aposto.
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