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Correio da Manhã

Opinião
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Eduardo Dâmaso

A história da máfia

Há leituras de Verão muito recomendáveis para quem quer saber mais sobre a história do crime organizado. Em língua portuguesa temos o privilégio de ter, desde há dois anos, o livro de John Dickie sobre a máfia siciliana.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 21 de Agosto de 2007 às 00:00
É um livro sobre história escrito como se fosse uma novela que nos conta, desde a luta pelo controlo das exportações de citrinos, no século XVIII, até aos tempos de todos os tráficos modernos, como a máfia preza o controlo do poder político e das instituições do Estado.
E como tudo, muitas vezes, começava pelo suave envolvimento dos convites a deputados, polícias, magistrados, advogados, para caçar em zonas exclusivas ou para umas festas mais generosas em todo o tipo de bens de consumo... Era uma coisa assim como ter bilhete, viagem e estadia oferecida para a final da Liga dos Campeões. Ou ter camarote oferecido para todos os jogos do clube do seu coração.
Alguém mais rebelde que insistisse em não entrar no bodo via a sua vida pessoal vasculhada, alvo de boatos, ameaçada por pressões hierárquicas, perseguida politicamente.
As forças da máfia apitavam alto na praça pública, como quem diz ‘não te atravesses no meu caminho’, antes de enviar a bala mortal. Apitavam à sua maneira, como outros apitam hoje com dossiês manhosos, testemunhos comprados, cumplicidades nas instituições do Estado. Em Portugal, no século XXI, espera-se que algo aconteça sem a impunidade de que a máfia gozou durante décadas, mas que também perdeu.
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