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Correio da Manhã

Opinião
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25 de Setembro de 2004 às 00:00
Os militantes do PS estão a cumprir hoje o último dia de votação para a eleição do novo secretário-geral. Provavelmente amanhã, domingo, já haverá resultados definitivos. A primeira conclusão a tirar desta agitação para a escolha do líder socialista é a de que em boa hora foi decidido um processo de eleição que teve o mérito de lançar a discussão política.
Os militantes do PS foram chamados a pronunciarem-se sobre estas ‘primárias’ e num clima de inteira liberdade fizeram as suas opções. Três candidatos, Alegre, Soares e Sócrates, puseram tudo sobre a mesa – o partido e o País. Há muito tempo já não havia tanta discussão entusiasmada e séria sobre temas tão decisivos para os portugueses. Por isso o PS presta um grande serviço à democracia ao pôr em prática um sistema que constitui uma verdadeira pedrada no charco.
A importância desta mutação vai contagiar pelo menos o outro partido do arco de alternância governamental – o PSD. Não vejo como será possível evitar esse contágio quando o marasmo tomou conta do principal partido do Governo. A eleição do líder por sufrágio directo e universal, com uma campanha eleitoral de dois meses, mostra-se a terapêutica adequada para mobilizar os militantes, para os aproximar dos dirigentes, para fazer renascer o debate político. A segunda conclusão a retirar é a de que, definitivamente, quem se candidata a líder do partido candidata-se a primeiro ministro em próximas eleições legislativas.
Não há como evitá-lo. O programa de candidatura a líder do partido transporta em si mesmo um autêntico programa de candidatura a primeiro-ministro. As questões essenciais da vida do País estão lá todas inscritas e o posicionamento do candidato em relação a todas elas é uma inevitabilidade. Veja-se como Manuel Alegre, pretendendo separar as duas funções, a de líder do partido e candidato a primeiro-ministro, acabou por vir a anuir, pela pressão do debate, à sobreposição dos dois cargos.
A terceira conclusão é a da legitimidade. O vencedor destas eleições está dotado de uma legitimidade de grande alcance. O líder do PS eleito, isoladamente, por escrutínio directo e universal dos militantes, está em condições, como nenhum outro, de falar em nome do partido. É uma escolha democrática, com todo o poder que uma eleição transparente pode propiciar.
A última conclusão é a de que o PS sai mais forte deste acto e após o Congresso do próximo fim-de-semana está pronto para iniciar a corrida para uma eventual vitória nas legislativas de 2006. Mas, atenção, que ninguém se engane. O caminho a percorrer está cheio de escolhos. Torna-se necessário que os socialistas se unam, preparem um projecto de mobilização do eleitorado, apontem políticas alternativas para resolver os graves problemas do País e façam uma oposição responsável e realista.
Ganhar o País depois de ganhar o partido. Os interesses de Portugal reclamam uma alternativa de Governo capaz, competente e séria. E o PS pode protagonizá-la.
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