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Correio da Manhã

Opinião
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24 de Outubro de 2009 às 09:00

O PSD iniciou agora o Caminho das Pedras para tentar encontrar,lá mais adiante, a ‘Terra Prometida’. São tempos difíceis e de amargura porque ninguém perspectiva, desde já, um final feliz, nem tão-pouco o estado de ‘saúde’ do maior partido da oposição augura, depois de uma travessia tempestuosa e carregada de armadilhas, uma vitalidade promissora. Dito de outro modo e de maneira mais simples, o PSD vive horas difíceis. Ninguém tem a solução na mão mas a arrogância campeia. É o momento mais difícil na história da vida do PSD.

O PSD tem vindo lentamente, de desaire em desaire, a enfraquecer, mas a partir de agora entra em circuitos apertados que o podem conduzir a uma fragmentação que não deixará pedra sobre pedra. O PSD é um partido vital na democracia portuguesa. Teve um protagonismo ao longo dos anos que não pode ser minimizado. Faz parte da espinha dorsal do nosso sistema de poder político. Ninguém desconhece que existe um parente pobre que aguarda, à entrada da porta, os sapatos do defunto. O CDS julga-se porventura herdeiro natural desse património.

Creio que há um enorme equívoco. Por mais metamorfoses que se operem no CDS, nunca será o lugar de acolhimento da maioria dos sociais-democratas. Há uma diferença ideológica tão marcante que jamais esse cenário se colocará. Sá Carneiro até daria saltos na tumba. A cegueira de que está possuída a ‘inteligensia’ social--democrata arrepia-me.

O PSD enquanto não ultrapassar esta agonia não será alternativa de poder. Não será útil ao País. Não ajudará a política e a reflexão ideológica ou programática para construir um futuro melhor para os nossos filhos. Está toda a gente a ver o desastre e não há quem inverta o sentido? Isto não vai com soluções à Marcelo que parecem mais um ‘intermezzo’ de humor. Certamente também não vai com soluções precipitadas. Será tão difícil assim que uma meia dúzia de ‘homens-bons’ do PSD lancem uma reflexão urgente, afastem os fariseus e comecem a erguer uma saída honrada, digna, inteiramente condizente com a história do partido? Assim de repente, lembro-me sempre de António Capucho, uma imagem de prestígio e de credibilidade, Rui Rio, Fernando Seara, Macário Correia autarcas com créditos firmados, entre tantos outros... Os autarcas do PSD que têm uma energia poderosa não conseguem dinamizar a renovação do Partido Social Democrata?

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