Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
7
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

João Vaz

A Igreja e o Papa

A cerca de um mês da visita do Papa Bento XVI a Portugal, a actualidade noticiosa à volta dos padres pedófilos provoca uma grande angústia nos meios católicos. O encontro do Pastor com os seus fiéis não precisava deste tema. No entanto, o problema existe e deve ser enfrentado. A Fé animou sempre os que acreditam em Deus e ajuda a superar as dificuldades. O que realmente complica é facilitar o desconhecimento e esconder o lixo debaixo do tapete.

João Vaz 6 de Abril de 2010 às 00:30

Não há neste assunto dos padres pedófilos nada pior do que fechar os olhos à realidade. Um belo acto de contrição está na entrevista ontem publicada pelo diário francês ‘Le Parisien’ com monsenhor Jacques Gaillot, que se tornou símbolo da liberdade de expressão depois de enfrentar o poder estatal em defesa dos excluídos, a propósito de leis da emigração. Em 1995, teve de trocar a sua diocese de Evreux, na Normandia, pela prelatura desconhecida de Partenia, na Argélia. O bispo Gaillot, de 75 anos, está hoje arrependido de ter recebido em 1987, em Evreux, um padre canadiano saído de uma pena de 20 meses de cadeia e um ano de terapia, sobre quem, no início, nem sequer sabia o que fizera. Foi informado mais tarde e avisou o seu sucessor à frente na diocese, mas então já o padre Denis Vadeboncoeur se livrara de controlo. Em 2000, surgiram novas acusações de pedofilia contra o padre, que acabou por ser de novo condenado. Agora, com 12 anos de cadeia.

Seria possível a reincidência sem o secretismo reinante na Igreja Católica? Pelo menos era mais difícil. A questão é ter uma fé de convicção e não de hábito social ou tradição familiar. E o fundamental será sentir nas dificuldades o desafio "não tenhais medo!" que João Paulo II foi buscar ao evangelho de São Mateus.

A Igreja Católica falhou muitas vezes em passados distantes e no mais recente, mas guarda as referências fundamentais da fé, esperança e caridade. Esteve e aparece ao lado de opressores e ao serviço de ódios, mas os evangelhos proclamam sem quebra o amor ao próximo e a justiça. Parece impossível que os crimes dos seus dignitários, como são os abusos sexuais de crianças por padres, não matem a mensagem. Salva-se com a verdade. Afirma uma diferença moral em relação aos que prometem um mundo sem dominadores, sem injustiças e vida mais feliz, mas fazem tudo ao contrário e têm sempre explicações para a opressão, a iniquidade e a miséria. E sabe que há várias maneiras de escrever no tempo, mas ele tem só um veredicto: desfaz a mentira, guarda a verdade e não se engana.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)