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Correio da Manhã

Opinião
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9 de Novembro de 2007 às 00:00
Os nossos aliados da OTAN deveriam parar e reflectir sobre o porquê de estarmos no Afeganistão, sobre os avanços registados e sobre as consequências que o abandono daquele país teria para os afegãos e para nós próprios.
É importante retroceder a 2001 e ao ataque às Torres Gémeas em Nova Iorque. Em concordância com o artigo 5 da Carta da OTAN, este ataque contra um País-membro foi considerado um ataque contra todos. A Aliança entrou na guerra contra os taliban quando estes se recusaram a entregar terroristas da al-Qaeda escondidos no Afeganistão. Naquele período, estava ainda no poder o regime taliban, que impunha uma versão redutora e repressiva do Islão à população que a rejeitava. Às mulheres eram-lhes negados direitos fundamentais. Por alguns crimes, eram mesmo apedrejadas até à morte. As raparigas estavam proibidas de ir à escola. Foram tempos muito sombrios.
Quais os progressos registados no Afeganistão desde 2001? A economia afegã é hoje três vezes maior do que então. O Afeganistão tem uma Constituição e um governo eleito. Quase seis milhões de crianças regressaram às escolas. Em 2001, só 8% da população tinha acesso a cuidados médicos. Agora essa percentagem está acima dos 65%. A comunidade internacional está empenhada em apoiar a reconstrução e o desenvolvimento do Afeganistão.
O que aconteceria se os aliados da OTAN reduzissem o seu empenhamento, se todos disséssemos “já cá estivemos tempo suficiente, é tempo de partirmos”? Essa redução não desiludiria apenas os 60% de afegãos que desejam que as forças da OTAN continuem a lutar contra aqueles que reprimem a sua liberdade. Seria também uma afronta aos 65% de cidadãos que nos dois lados do Atlântico, e de acordo com a sondagem do German Marshall Fund, acreditam ser importante centrar esforços na reconstrução do Afeganistão e impedir a al-Qaeda de recuperar margem de manobra.
O Afeganistão ainda está em guerra! Esta não é “uma guerra da América” como provam os terroristas treinados no Afeganistão, que foram detidos enquanto planeavam ataques na Europa Ocidental. E partir do princípio de que o Tio Sam vai continuar a lutar enquanto os aliados da OTAN reduzem o seu empenhamento e não assumem a sua quota-parte do esforço é não só contraprodutivo como uma irresponsabilidade. Infelizmente, não podemos prever o fim desta guerra. Apesar do cansaço em ambos os lados do Atlântico – já para não mencionar o próprio Afeganistão –, não temos outra escolha senão manter o rumo.
Quando o primeiro-ministro José Sócrates visitou o presidente George W. Bush em Washington no início do ano, este agradeceu publicamente tudo aquilo que Portugal tem feito em favor da guerra contra o terrorismo, dando especial ênfase ao empenhamento de Portugal no Afeganistão. Espero que Portugal e outros aliados da OTAN continuem a apoiar com convicção os princípios que todos afirmamos defender e que não reduzam o seu empenhamento no Afeganistão. A OTAN fez um esforço tremendo para libertar os afegãos dos taliban e da al-Qaeda. Virar as costas à população afegã neste momento da sua luta seria abandoná-los – a eles, mas também aos nossos princípios e à nossa segurança.
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