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Correio da Manhã

Opinião
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16 de Maio de 2006 às 00:00
Deco marca de forma clara o futebol de Portugal. É por causa do luso-brasileiro, da sua forma de chegar à frente jogando sempre a partir do meio-campo e do empenho que coloca na recuperação da sua posição quando fica sem bola, que a Selecção joga actualmente em 4x3x3 e não no 4x2x3x1 que marcava o futebol nacional desde que entrou em funções o modelo actual, condicionado pela presença de extremos de grande qualidade.
Portugal joga futebol apoiado, com uma linha de quatro defesas – com a possibilidade de um dos laterais fechar ao meio –, um médio posicional à frente do quarteto e dois interiores. Um mais preocupado em juntar-se ao trinco quando a equipa fica sem a bola, mas sem perder de vista a possibilidade de se adiantar até à área; o outro com ordem para avançar e explorar o espaço nas costas do ponta-de-lança mas ao mesmo tempo obrigado a fechar a zona.
O ponta-de-lança coloca-se bem junto aos centrais adversários, a dar profundidade ao jogo e a tentar explorar os limites do ‘off--side’, mas é das características dos extremos que mais depende o futebol atacante da equipa de Scolari: são ambos bons no transporte, no drible e com tendência para invadirem o espaço interior.
O problema desta Selecção pode ser o apagamento – por lesão ou quebra de forma – de Deco, o único titular sem um suplente credível. Aí, há duas alternativas para Scolari: ou arrisca Tiago (que até pode ser titular como segundo médio em vez de Maniche), e o meio-campo perde capacidade de circulação de bola – o estilo do jogador do Lyon é muito mais ‘vertical’ –, ou chama Simão e muda Figo para o meio. Aí sim, o 4x3x3 transfigura-se e muda para um 4x2x3x1 em que o terceiro médio joga mais com o ponta-de-lança e, por inerência, o segundo passa a ter muito mais responsabilidades defensivas. Fica a ganhar Pauleta, mas passa a ser complicado fugir à dupla Costinha/Petit.
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