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Correio da Manhã

Opinião
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9 de Agosto de 2004 às 00:00
Agora, José Miguel Júdice defende que o importante é saber se pessoas ligadas à investigação violaram o segredo nas conversas mantidas com o jornalista Octávio Lopes e de cujo registo, por método ainda desconhecido, alguém se apossou indevidamente.
É difícil conceber que tão ilustre pensador possa achar que um meio criminoso – o furto, a prática de escutas ilegais, ou a mescla de ambos os métodos – pode ser validado pelo fim de se saber se houve por parte de alguém uma violação do segredo de Justiça.
Se um crime, no mínimo, de furto pode ser lavado por ser prova de uma eventual violação do segredo de Justiça, então – seguindo a linha de raciocínio de Júdice – que crimes se podem legitimar quando se visa descobrir matéria relevante num caso de homicídio ou mesmo de pedofilia?
Este jogo com as palavras do Bastonário – que chega a dizer que “há males que vêm por bem” – visa apenas um fim: acordar no facto de que um método criminoso, em nenhum momento e por nenhuma razão, pode ser branqueado a jusante da sua prática.
Há, neste caso das conversas manipuladas, apenas uma acção criminosa a investigar com energia: aquela de que foi vítima o jornalista Octávio Lopes.
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