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Correio da Manhã

Opinião
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22 de Agosto de 2006 às 00:00
Carlos Sousa vai sair da câmara porque lhe vai ser retirada a confiança política. O relatório do IGAT, sobre as reformas compulsivas de alguns funcionários, servirá de desculpa. Mas, na realidade, o pecado de Sousa foi ter sido demasiado renovador, para utilizar a terminologia comunista, para o conservadorismo que o PC português exige aos seus ‘camaradas’. Com uma câmara repleta de dívidas (30 milhões de passivo), Sousa cometeu o pecado do capital: quis geri-la como uma empresa. Travou admissões. Tornou-se o inimigo n.º 1 dos sindicatos.
Nas autárquicas, mais que em partidos vota-se em pessoas. Em 2001, Sousa devolveu ao PC uma autarquia símbolo que o PS lhe roubara. No ano passado voltou a ter o voto de confiança dos setubalenses. Mas de figura carismática passou a ser o perigoso ortodoxo, ameaçando renovação.
Escudados na maioria relativa e na lei, os comunistas vão substitui-lo por uma figura de confiança, a n.º 3 da câmara. Porque se arriscassem uma decisão tão democrática como novas eleições, sabiam que seriam derrotados. Assim, ganham três anos. Se o partido não cair de podre até lá.
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