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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Novembro de 2003 às 00:00
Sousa não precisou de inventar para ganhar a Camacho, como os jogadores do Beira-Mar não necessitaram de fazer a exibição de uma vida para entrarem na história da nova Luz. O Beira-Mar fez o trabalho de casa. Os melhores jogadores do Benfica estão na frente e um dos pontos fortes da equipa é a relação entre os dois extremos, os dois avançados e Tiago. Quando Simão e Geovanni flectem para dentro procuram as tabelas e muitas vezes libertam um dos pontas-de-lança, ou Tiago, para situações na cara do guarda-redes ou para remates perigosos. Foi assim que surgiu o golo encarnado. Mas esse lance de Simão acabou por ser enorme excepção que confirmou a regra. Sousa apresentou dois laterais rápidos e dois centrais capazes de manter Sokota sob controlo. Depois entregou a Sandro o papel principal: seguia Nuno Gomes e tinha a ingrata missão de adivinhar as combinações atacantes do adversário pelo centro. Apesar da participação no golo do Benfica, Sandro foi o melhor em campo. Na frente, Sousa pediu a Kingsley que desse trabalho a Miguel. Claro que nenhuma táctica resultaria se o Beira-Mar não tivesse jogadores tão confiantes e um treinador que quis mesmo ganhar. Essa acaba por ser a lição de domingo: nada impede os pequenos de derrotarem os grandes. Quer dizer, será sempre difícil, mas o primeiro passo é querer.
P.S. – Camacho também ajudou. A troca de Sokota por Carlitos e Argel por Armando entra no livro de honra das decisões bizarras. E provavelmente marca o início de um novo tempo em que passa a valer a pena questionar o espanhol. Pedir-lhe, por exemplo, que abandone o discurso defensivo desta época.
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