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Correio da Manhã

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Francisco Moita Flores

A marca PJ

A marca PJ vende o mais importante dos produtos: segurança e confiança no sistema constitucional.

Francisco Moita Flores 26 de Março de 2007 às 09:00
Decorreu este fim-de-semana o Congresso da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária e foram duras as palavras do seu presidente perante a paulatina perda de influência desta polícia na sequência das reformas em curso no quadro das polícias nacionais. E, diga-se, com razão.
Num mundo cada vez mais submetido aos ditames do marketing, onde se jogam milhões de dólares e euros para a produção e afirmação de marcas de prestígio, marcas distintivas que sugerem qualidade, eficiência, prestígio; neste mundo onde grande parte da credibilidade se joga nos grandes meios de comunicação, em que parecer se confunde muitas vezes com o ser, ninguém terá dúvidas que, quer a nível nacional quer além fronteiras, PJ é uma marca de prestígio, seguramente a marca de maior distinção das polícias portuguesas.
É sabido dos fortes investimentos que o FBI, a Scotland Yard, entre outras polícias, fazem na promoção da sua marca. Recorde-se a este propósito o ‘Crime Watch’, um programa de televisão de grande popularidade em Inglaterra. Aqui, os cérebros que protagonizam a nova reforma pura e simplesmente vão entregando à mais prestigiada das polícias nacionais um lugar cada vez mais sombrio na escala de protagonismos.
A marca PJ vende o mais importante dos produtos: segurança e confiança no sistema constitucional. Uma marca que levou décadas a construir e que se afirmou num quadro de memórias de combate ao crime feito de muitas gerações de polícias, de vidas perdidas, de determinação combativa. Desde a velha PIC, Polícia de Investigação Criminal, criada por Sidónio Pais, que quase um século de trabalho fez emergir a PJ como a polícia cuja credibilidade é proporcional à consciência dos níveis de segurança que existem na comunidade.
E agora, em nome do falso argumento do despesismo, da fúria concentracionária e jacobina que confunde controlo de poder com eficácia, assistimos, ainda que com grandes indignações e profissões de fé de que não é nada disto, à lenta agonia do melhor que temos. Tem razão o seu presidente quando recusa que o conselho superior de investigação criminal esteja fora da influência do poder político e seja presidido pelo procurador-geral da República.
A nobreza da investigação criminal reside na sua independência, na capacidade de não ser condicionada, de agir de acordo com as leis da República e não ao sabor dos caprichos e calculismos de um governo qualquer. Seja este ou seja outro. Depois de abocanhar o Conselho de Segurança Interna, onde haveria alguma legitimação para estar sentado o Governo, este passo no sentido de governamentalizar a investigação criminal aproxima-nos rapidamente dos Estados musculados onde polícia e política se confundem nos finalidades e nas intenções.
É pena que estejamos a trilhar este caminho. Perdemos todos. Até o próprio Governo. Vai levar anos para credibilizar outra marca de polícia igual à da PJ. Tempo e dinheiro, é claro. Embora o dinheiro seja pouco importante. Somos ricos.
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